Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco. (Machado de Assis, in Memórias Póstumas de Brás Cubas). Ao analisar esse trecho do livro e entendendo que o autor personagem narra sua história, ele também expressa seus sentimentos e portanto, ele:
Questão
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco. (Machado de Assis, in Memórias Póstumas de Brás Cubas).
Ao analisar esse trecho do livro e entendendo que o autor personagem narra sua história, ele também expressa seus sentimentos e portanto, ele:
Alternativas
A) Não quer morrer.
B) Não vai morrer.
C) Está vivo.
D) Está morrendo.
E) Renasce.
Explicação
No trecho, Brás Cubas afirma que não é “um autor defunto”, mas sim “um defunto autor” e completa: “para quem a campa foi outro berço”.
Essa metáfora (“a campa” = túmulo; “outro berço” = novo nascimento) indica que, ao morrer, ele passa a assumir uma nova condição: a de narrador que escreve a partir da morte, como se a morte funcionasse como um “renascimento” para a escrita e para a narração das memórias.
Logo, o sentimento/ideia expressa é a de recomeço simbólico após a morte — um renascer (não físico, mas literário/narrativo).