Medicina: Um homem de 36 anos é atendido pelo SAMU após colisão motocicleta × automóvel em alta velocidade. Encontra-se consciente, porém pálido, sudorético e taquicárdico. Apresenta dor intensa em região pélvica e incapacidade de deambular. Ao exame físico: PA: 85 × 50 mmHg, FC: 128 bpm, instabilidade pélvica à palpação e equimose perineal. Considerando os princípios do manejo do trauma e os aspectos relacionados à hemorragia associada às fraturas pélvicas, assinale a alternativa CORRETA.
Um homem de 36 anos é atendido pelo SAMU após colisão motocicleta × automóvel em alta velocidade. Encontra-se consciente, porém pálido, sudorético e taquicárdico. Apresenta dor intensa em região pélvica e incapacidade de deambular. Ao exame físico: PA: 85 × 50 mmHg, FC: 128 bpm, instabilidade pélvica à palpação e equimose perineal. Considerando os princípios do manejo do trauma e os aspectos relacionados à hemorragia associada às fraturas pélvicas, assinale a alternativa CORRETA.
A) A avaliação da estabilidade da pelve deve ser feita por manobra vigorosa de compressão lateral, a fim de confirmar a instabilidade mecânica antes da imobilização.
B) A principal fonte de sangramento nas fraturas pélvicas é arterial, o que justifica a necessidade precoce de embolização angiográfica na maioria dos casos.
C) Independentemente do padrão da fratura, pacientes hemodinamicamente instáveis com fratura de pelve devem ser estabilizados imediatamente com binder ou lençol ao nível dos grandes trocânteres.
D) O uso do ácido tranexâmico está contraindicado nesse cenário, pois a hemorragia associada à fratura pélvica é predominantemente venosa.
E) Nas fraturas pélvicas tipo II, o sangramento geralmente ocorre de forma autolimitada após a estabilização inicial, não havendo indicação de medidas adicionais de controle hemorrágico quando o paciente apresenta resposta transitória à reposição volêmica.
- Identificação do problema (ATLS/trauma):
- Paciente politraumatizado com sinais claros de choque hemorrágico (PA 85×50 mmHg, FC 128 bpm, palidez, sudorese) e forte suspeita de fratura pélvica instável (dor pélvica intensa, incapacidade de deambular, instabilidade à palpação, equimose perineal).
- Em fratura pélvica instável, a hemorragia pode ser maciça e rapidamente fatal; por isso, uma medida imediata de “controle mecânico” é reduzir o volume pélvico e diminuir o sangramento com estabilização externa (pelvic binder/lençol).
- Conduta correta imediata: estabilização pélvica precoce
- Para paciente hemodinamicamente instável com suspeita/diagnóstico de fratura pélvica, a estabilização deve ser feita o quanto antes com pelvic binder (ou lençol), posicionado ao nível dos grandes trocânteres (não na cintura/abdome), pois é nessa altura que se consegue melhor fechamento do anel pélvico e redução do espaço potencial de sangramento.
- Isso é válido na prática independentemente do padrão específico da fratura no atendimento inicial, porque o objetivo é uma intervenção rápida, de baixo risco e potencialmente salvadora.
- Análise das alternativas: A) Incorreta. Em trauma, não se recomenda manobra vigorosa e repetida de “compressão” para testar estabilidade, pois pode deslocar coágulos, agravar a hemorragia e aumentar a instabilidade. A suspeita clínica já justifica imobilização/estabilização imediata.
B) Incorreta. A fonte mais comum de sangramento na fratura pélvica é venosa (plexos venosos e sangramento de superfícies ósseas), embora possa haver sangramento arterial em uma parcela menor dos casos. Por isso, não é correto afirmar que é “principalmente arterial” nem que a embolização será necessária “na maioria” dos pacientes.
C) Correta. No paciente hemodinamicamente instável com fratura pélvica suspeita/confirmada, deve-se realizar estabilização imediata com binder/lençol ao nível dos grandes trocânteres, como medida inicial de controle hemorrágico e estabilização mecânica.
D) Incorreta. O ácido tranexâmico não é contraindicado por a hemorragia ser venosa; ao contrário, pode ser indicado precocemente em hemorragia traumática significativa (idealmente nas primeiras horas), conforme protocolos de manejo do sangramento no trauma.
E) Incorreta. Resposta transitória à reposição volêmica sugere sangramento em curso. Mesmo em padrões menos graves, fratura pélvica com instabilidade hemodinâmica exige vigilância e, frequentemente, medidas adicionais de controle hemorrágico conforme a resposta (p. ex., fixação externa, tamponamento pélvico/packing pré-peritoneal, angioembolização se suspeita arterial), não sendo correto afirmar que “não há indicação” de medidas adicionais.
Alternativa correta: C.