Em relação ao uso do ácido tranexâmico (TXA) no manejo do choque hemorrágico, assinale a alternativa CORRETA.
Questão
Em relação ao uso do ácido tranexâmico (TXA) no manejo do choque hemorrágico, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
A) Atua como antagonista direto da trombina, inibindo a conversão de fibrinogênio em fibrina, sendo indicado em coagulopatias de consumo.
B) Sua eficácia está relacionada à redução da mortalidade quando administrado dentro das primeiras 3 horas após o trauma, especialmente em pacientes com sangramento ativo e instabilidade hemodinâmica.
C) A dose indicada do ácido tranexâmico no choque hemorrágico é de 1 g por via intramuscular, repetida a cada 6 horas nas primeiras 24 horas após o trauma.
D) O TXA define-se como um agente pró-coagulante que promove ativação plaquetária direta, sendo contraindicado em pacientes com trauma cranioencefálico associado.
E) Deve ser administrado rotineiramente em todo paciente politraumatizado, independentemente da presença de choque ou suspeita de sangramento significativo.
Explicação
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Mecanismo de ação do TXA: o ácido tranexâmico é um antifibrinolítico. Ele se liga aos sítios de lisina do plasminogênio/plasmina, inibindo a ligação à fibrina e reduzindo a fibrinólise. Portanto, ele não é antagonista direto da trombina (isso descreve anticoagulantes como os inibidores diretos da trombina) e não atua promovendo ativação plaquetária direta.
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Evidência clínica e tempo de administração: no trauma com hemorragia significativa, há evidência de redução de mortalidade quando o TXA é administrado precocemente, com melhor benefício até 3 horas após o trauma; após esse período, o benefício diminui e pode haver potencial de piora em alguns cenários. Assim, a janela temporal é parte central da indicação.
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Dose e via: no manejo do choque hemorrágico/trauma, o esquema clássico é 1 g IV em bolus (infusão lenta) seguido de 1 g IV em infusão (por exemplo, ao longo de 8 horas). Não se utiliza via intramuscular repetida a cada 6 horas como descrito na alternativa C.
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Indicação não é “para todo politraumatizado”: o TXA é recomendado quando há suspeita de hemorragia significativa/choque hemorrágico ou necessidade de transfusão, não como rotina indiscriminada em qualquer politrauma sem sangramento relevante (refuta a alternativa E).
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Trauma cranioencefálico (TCE): não é correto afirmar que o TXA é contraindicado por “ativação plaquetária direta” (mecanismo incorreto). Há estudos avaliando TXA em TCE, e a contraindicação absoluta como descrita na alternativa D não procede.
Pelo conjunto (mecanismo, evidência e janela de tempo), a alternativa que descreve corretamente o TXA no choque hemorrágico é a que enfatiza administração precoce em até 3 horas e benefício em mortalidade em pacientes com sangramento/instabilidade.
Alternativa correta: B.