No estudo do Bem-Estar Animal (BEA), é fundamental distinguir as diferentes abordagens que compõem o campo. Com base nos conceitos discutidos em aula, qual a relação correcta entre os aspectos científicos, éticos e legislativos?
Questão
No estudo do Bem-Estar Animal (BEA), é fundamental distinguir as diferentes abordagens que compõem o campo. Com base nos conceitos discutidos em aula, qual a relação correcta entre os aspectos científicos, éticos e legislativos?
Alternativas
A) A ciência substitui a ética, pois indicadores biológicos são os únicos critérios válidos para legislar sobre o bem-estar.
B) A legislação foca exclusivamente na economia, enquanto a ciência e a ética são dissociadas das práticas de maneio.
C) A ciência refere-se aos efeitos das acções humanas sobre os animais; a ética às atitudes moral humanas; e a legislação às obrigações de tratamento.
D) A ética trata dos indicadores fisiológicos, enquanto a ciência define como somos obrigados por lei a tratar os animais
Explicação
Para relacionar correctamente os três pilares do Bem-Estar Animal (BEA), é preciso entender que eles respondem a perguntas diferentes e complementares:
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Aspecto científico (ciência do BEA) A ciência procura descrever e medir o bem-estar por meio de evidências: como as condições de criação/maneio/transporte/abate afectam o animal (comportamento, saúde, lesões, stress, desempenho, indicadores fisiológicos, etc.). Ou seja, trata dos efeitos das acções humanas sobre os animais.
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Aspecto ético (ética do BEA) A ética aborda o que deveríamos fazer: discute valores, responsabilidades e julgamentos morais sobre como é correcto tratar os animais. Portanto, está ligada às atitudes e escolhas morais humanas (o “deve ser”), não aos indicadores biológicos em si.
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Aspecto legislativo (legislação do BEA) A legislação transforma parte dessas preocupações (frequentemente informadas por ciência e sustentadas por debates éticos) em normas obrigatórias: define deveres, proibições e exigências mínimas de tratamento e condições (o “tem de ser”/“é obrigatório”).
Analisando as alternativas:
- A é falsa: a ciência não “substitui” a ética; medir não resolve sozinho o que é moralmente aceitável.
- B é falsa: legislação não foca “exclusivamente na economia” e não se dissocia de ciência e ética.
- D é falsa: inverte os conceitos (ética não é indicadores fisiológicos; ciência não define obrigações legais).
- C descreve correctamente a função de cada dimensão: ciência (efeitos), ética (atitudes/juízos morais) e legislação (obrigações).