Como comecei a escrever Carlos Drummond de Andrade Papai era assinante da Gazeta de Notícias, e antes de aprender a ler eu me sentia fascinado pelas gravuras coloridas do suplemento de domingo. Tentava decifrar o mistério das letras em redor das figuras e mamãe me ajudava nisso. Quando fui para a escola pública, já tinha a noção vaga de um universo de palavras que era preciso conquistar. Durante o curso, minhas professoras costumavam passar exercícios de redação. Criei gosto por esse dever que me permitia aplicar para determinado fim o conhecimento que ia adquirindo do poder de expressão contido nos sinais reunidos em palavras. Daí por diante as experiências foram se acumulando, sem que eu percebesse que estava descobrindo a literatura. Fernando Sabino Quando eu tinha 10 anos, ao narrar a um amigo uma história que havia lido, inventei para ela um fim diferente, que me parecia muito melhor. Resolvi então escrever as minhas próprias histórias. Durante o meu curso de ginásio, fui estimulado pelo fato de ser sempre dos melhores em português e dos piores em matemática — o que, para mim, significava que eu tinha jeito para escritor. Naquela época uma revista semanal do Rio, especializada em rádio, mantinha um concurso permanente de crônicas sob o título "O Que Pensam Os Rádio-Ouvintes". Eu tinha 12, 13 anos, e não pensava em grande coisa, mas minha irmã Berenice me animava a concorrer, passando à máquina as minhas crônicas e mandando-as para o concurso. Mandava várias por semana, e era natural que volta e meia uma fosse premiada. De tudo, o mais precioso à minha formação, todavia, talvez tenha sido a amizade que me ligou pela vida afora a Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, tendo como inspiração comum o culto à Literatura. Qual a diferença entre os caminhos percorridos por cada um dos escritores para chegar à literatura?

Questão

Como comecei a escrever

Carlos Drummond de Andrade

Papai era assinante da Gazeta de Notícias, e antes de aprender a ler eu me sentia fascinado pelas gravuras coloridas do suplemento de domingo. Tentava decifrar o mistério das letras em redor das figuras e mamãe me ajudava nisso. Quando fui para a escola pública, já tinha a noção vaga de um universo de palavras que era preciso conquistar. Durante o curso, minhas professoras costumavam passar exercícios de redação. Criei gosto por esse dever que me permitia aplicar para determinado fim o conhecimento que ia adquirindo do poder de expressão contido nos sinais reunidos em palavras. Daí por diante as experiências foram se acumulando, sem que eu percebesse que estava descobrindo a literatura.

Fernando Sabino

Quando eu tinha 10 anos, ao narrar a um amigo uma história que havia lido, inventei para ela um fim diferente, que me parecia muito melhor. Resolvi então escrever as minhas próprias histórias. Durante o meu curso de ginásio, fui estimulado pelo fato de ser sempre dos melhores em português e dos piores em matemática — o que, para mim, significava que eu tinha jeito para escritor. Naquela época uma revista semanal do Rio, especializada em rádio, mantinha um concurso permanente de crônicas sob o título "O Que Pensam Os Rádio-Ouvintes". Eu tinha 12, 13 anos, e não pensava em grande coisa, mas minha irmã Berenice me animava a concorrer, passando à máquina as minhas crônicas e mandando-as para o concurso. Mandava várias por semana, e era natural que volta e meia uma fosse premiada. De tudo, o mais precioso à minha formação, todavia, talvez tenha sido a amizade que me ligou pela vida afora a Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, tendo como inspiração comum o culto à Literatura.

Qual a diferença entre os caminhos percorridos por cada um dos escritores para chegar à literatura?

Alternativas

A) Para Drummond, a literatura surgiu a partir do acúmulo de experiências que o levou a reconhecer sua vocação; para Sabino, teve origem em sua imaginação.

95%

B) Para Drummond, o interesse pelo jornalismo o conduziu à literatura; para Sabino, o bom desempenho escolar o fez acreditar que tinha vocação para ser escritor.

C) Para Drummond, a literatura surgiu do interesse pelos exercícios de redação; para Sabino, a vontade de vencer um concurso de crônicas.

D) Para Drummond, surgiu do incentivo de sua mãe ao ensiná-lo a ler; para Sabino, foi o patrocínio de amigos ao longo da vida.

Explicação

No texto de Drummond, o contato inicial com as gravuras e letras do jornal e, depois, os exercícios de redação na escola vão acumulando experiências de linguagem (“as experiências foram se acumulando”), até que sem perceber ele “estava descobrindo a literatura”. Ou seja, o caminho dele é gradual: um processo de aprendizagem e prática que se soma ao longo do tempo.

Já em Fernando Sabino, o ponto de partida é um gesto claramente criativo: ao recontar uma história, ele inventa um final diferente porque achou “muito melhor”, e daí decide escrever suas próprias histórias. O caminho dele aparece ligado mais diretamente à imaginação/invenção, além do estímulo posterior (concurso, apoio da irmã e amizades literárias).

Assim, a alternativa que melhor contrasta os dois percursos é a que indica acúmulo de experiências e reconhecimento progressivo (Drummond) versus origem na imaginação/invenção (Sabino).

Alternativa correta: (A).

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