O mundo do trabalho demonstra que requer outro padrão de trabalho que aquele esperado no paradigma de organização taylorista-fordista. Novas necessidades surgem na contemporaneidade, e a literatura de competência surge para contribuir nessa direção. Sobre o conceito de competências e sua evolução, marque a alternativa correta.
Questão
O mundo do trabalho demonstra que requer outro padrão de trabalho que aquele esperado no paradigma de organização taylorista-fordista. Novas necessidades surgem na contemporaneidade, e a literatura de competência surge para contribuir nessa direção.
Sobre o conceito de competências e sua evolução, marque a alternativa correta.
Alternativas
a) Para o modelo de organização taylorista-fordista, competência era sinônimo de experiência no mercado de trabalho. O conhecimento empírico era o mais importante, pois a pessoa era mais significativa que o cargo que ocupava.
b) Competência foi conceituada pelos estudiosos franceses como um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes (CHA). Nessa perspectiva, ao indivíduo adquirir o alto desempenho.
c) A perspectiva norte-americana de competência questionava o conceito francês de competência, pois enxergava a competência e a inteligência prática para lidar e transformar situações complexas a partir de conhecimentos adquiridos.
d) Para o francês Le Boterf, competência reúne um conjunto de habilidades, como uma encruzilhada com três eixos: a pessoa, suas aspirações profissionais e seus interesses.
e) Competência pode ser definida como uma ação responsável que mobiliza as pessoas, e repassa a elas conhecimentos, recursos e habilidades que agregam valor à organização e ao indivíduo.
Explicação
A alternativa (e) está correta porque expressa a noção contemporânea (principalmente associada à escola francesa) de competência como capacidade de mobilizar e articular recursos (conhecimentos, habilidades, experiências, redes, meios) para agir de modo responsável em uma situação de trabalho, gerando valor simultaneamente para a organização e para o indivíduo.
Por que as demais estão incorretas:
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(a) Incorreta. No taylorismo-fordismo, o foco era o cargo/posto de trabalho e a fragmentação de tarefas, com baixa autonomia do trabalhador. Não se valorizava “a pessoa mais que o cargo”; ao contrário, o cargo prescrevia o fazer.
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(b) Incorreta. A formulação de competência como CHA (Conhecimentos, Habilidades e Atitudes) é mais típica de abordagens gerenciais/educacionais amplamente difundidas (com forte presença em leituras mais “americanizadas” e em RH), mas não é a síntese mais fiel do núcleo do conceito francês (Le Boterf, Zarifian), que enfatiza mobilização em situação e ação responsável, não apenas “possuir” CHA.
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(c) Incorreta. Está invertida: de modo geral, a perspectiva francesa é que destaca a “inteligência prática”, a atuação em situações complexas e a mobilização de recursos; a tradição norte-americana clássica foi mais voltada a atributos do indivíduo e mensuração (ex.: traços, comportamentos, desempenho), não nesse formato descrito.
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(d) Incorreta. Para Le Boterf, competência não é “um conjunto de habilidades” nem se define como encruzilhada “pessoa + aspirações + interesses”. O autor trabalha a ideia de competência como saber agir responsável, resultante da mobilização e combinação de recursos em contexto, com legitimidade/reconhecimento.
Assim, (e) é a que melhor representa o conceito de competência em sua evolução para além do paradigma taylorista-fordista.