Arte Contemporânea: Uma das tendências clássicas da filosofia estética é associar a arte à beleza, ao sublime, ao prazer. Ou seja, algo que agrada e eleva o espírito humano de forma universal. Elabore um texto que se contraponha a esta composição e destaque o valor estético de sensações que não seja o prazer. Mencione obrigatoriamente alguma expressão artística de sua preferência que tenha como essência a intenção de causar desconforto. Mencione, por exemplo, filmes de terror, dramas de teatro e literatura de forte impacto emocional, canções de protesto, artes visuais e intervenções urbanas que questionam o estilo de vida convencional, entre outras opções. Para a sua argumentação utilize apenas as suas próprias palavras. Observações: 1) Não está disponível o recurso de “copiar e colar”. 2) Qualquer texto copiado em parte ou integralmente, sem citação da fonte, de acordo com as normas ABNT, e ainda, aqueles copiados dos colegas, é considerado plágio. 3) Qualquer texto caracterizado como plágio terá a nota zerada e frequência não contabilizada, sem prejuízo ainda das ações previstas no Art. 184 do Código Penal Brasileiro, para crime de violação de direito autoral.

Questão

Uma das tendências clássicas da filosofia estética é associar a arte à beleza, ao sublime, ao prazer. Ou seja, algo que agrada e eleva o espírito humano de forma universal.

Elabore um texto que se contraponha a esta composição e destaque o valor estético de sensações que não seja o prazer. Mencione obrigatoriamente alguma expressão artística de sua preferência que tenha como essência a intenção de causar desconforto.

Mencione, por exemplo, filmes de terror, dramas de teatro e literatura de forte impacto emocional, canções de protesto, artes visuais e intervenções urbanas que questionam o estilo de vida convencional, entre outras opções.

Para a sua argumentação utilize apenas as suas próprias palavras.

Observações:

  1. Não está disponível o recurso de “copiar e colar”.
  2. Qualquer texto copiado em parte ou integralmente, sem citação da fonte, de acordo com as normas ABNT, e ainda, aqueles copiados dos colegas, é considerado plágio.
  3. Qualquer texto caracterizado como plágio terá a nota zerada e frequência não contabilizada, sem prejuízo ainda das ações previstas no Art. 184 do Código Penal Brasileiro, para crime de violação de direito autoral.
Resposta92%

A ideia de que a arte existe principalmente para produzir beleza, prazer e elevação “universal” é sedutora, mas reduz um fenômeno muito mais amplo. Há obras que não querem agradar: querem inquietar, ferir expectativas, expor contradições e forçar o público a encarar algo que normalmente evitaria. Nesses casos, o valor estético não está no conforto, e sim na potência da experiência — na capacidade da obra de reorganizar a nossa percepção do mundo e de nós mesmos, mesmo quando isso vem acompanhado de medo, repulsa, tristeza ou ansiedade.

Sensações como angústia, tensão e desconforto também podem ter significado estético porque mobilizam atenção e reflexão. Quando uma obra provoca mal-estar, ela pode estar “quebrando” hábitos de consumo rápido e passivo. Em vez de oferecer uma sensação agradável e fechada, ela abre uma pergunta. Esse desconforto pode funcionar como um método: uma forma de nos arrancar da indiferença. Assim, o valor estético não depende de prazer imediato, mas do impacto transformador — aquilo que permanece depois que a obra termina.

Um exemplo claro disso, para mim, é o filme de terror “Hereditário”. Grande parte da força do filme vem da sensação de sufocamento emocional: a atmosfera é pesada, as cenas criam tensão contínua e a narrativa trabalha a perda e a desagregação familiar de um modo que incomoda. O filme não parece buscar a “beleza” no sentido tradicional, nem o prazer de um entretenimento leve. A intenção estética é produzir desconforto: o espectador é conduzido a encarar o medo, a vulnerabilidade e a ideia de que nem sempre há controle ou reparação. O resultado pode ser perturbador, mas justamente por isso marcante.

Além disso, o desconforto pode ter um valor ético e político. Canções de protesto, performances e intervenções urbanas muitas vezes incomodam porque interrompem a rotina e denunciam o que a sociedade prefere esconder: desigualdade, violência, racismo, misoginia, destruição ambiental. O incômodo, nesse contexto, não é um “defeito” da obra; é o seu núcleo. A obra vale porque constrange a normalidade, revela um problema e exige posicionamento.

Portanto, contrapor arte e desconforto é um equívoco: a arte pode ser estética justamente quando causa desprazer. Beleza e prazer são apenas uma parte do campo estético. Medo, choque, tristeza e estranhamento também podem gerar conhecimento sensível, ampliar a imaginação moral e aprofundar a compreensão da experiência humana. A arte que desconforta não nos “eleva” por nos agradar, mas por nos tornar mais atentos, mais críticos e, às vezes, mais humanos diante do que é difícil de encarar.

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