Uma pessoa vê-se forçada pela necessidade a pedir dinheiro emprestado. Sabe muito bem que não poderá pagar, mas vê também que não lhe emprestarão nada se não prometer firmemente pagar em prazo determinado. Sente a tentação de fazer a promessa; mas tem ainda consciência bastante para perguntar a si mesma: não é proibido e contrário ao dever livrar‑se de apuros desta maneira? Admitindo que se decida a fazê‑lo, a sua máxima de ação seria: quando julgo estar em apuros de dinheiro, vou pedi‑lo emprestado e prometo pagá‑lo, embora saiba que tal nunca sucederá. KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Abril Cultural, 1980. De acordo com a moral kantiana, a "falsa promessa de pagamento" representada no texto:

Questão

Uma pessoa vê-se forçada pela necessidade a pedir dinheiro emprestado. Sabe muito bem que não poderá pagar, mas vê também que não lhe emprestarão nada se não prometer firmemente pagar em prazo determinado. Sente a tentação de fazer a promessa; mas tem ainda consciência bastante para perguntar a si mesma: não é proibido e contrário ao dever livrar‑se de apuros desta maneira? Admitindo que se decida a fazê‑lo, a sua máxima de ação seria: quando julgo estar em apuros de dinheiro, vou pedi‑lo emprestado e prometo pagá‑lo, embora saiba que tal nunca sucederá.

KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Abril Cultural, 1980.

De acordo com a moral kantiana, a "falsa promessa de pagamento" representada no texto:

Alternativas

garante que os efeitos das ações não destruam a possibilidade da vida futura na terra.

permite que a ação individual produza a mais ampla felicidade para as pessoas envolvidas.

opõe-se ao princípio de que toda ação do homem possa valer como norma universal.

97%

materializa-se no entendimento de que os fins da ação humana podem justificar os meios.

assegura que a ação seja aceita por todos a partir da livre discussão participativa.

Explicação

  1. O texto apresenta o exemplo clássico de Kant sobre a “promessa falsa” (mentir para obter um empréstimo), que é usado para testar uma máxima pelo Imperativo Categórico, especialmente na formulação da lei universal.

  2. Máxima indicada: “quando julgo estar em apuros de dinheiro, vou pedi-lo emprestado e prometo pagá-lo, embora saiba que tal nunca sucederá.”

  3. Teste de universalização: devemos perguntar se essa máxima poderia ser racionalmente querida como lei universal, isto é, se todos pudessem agir segundo ela.

  4. Se todos prometessem pagar sabendo que não pagarão, a própria instituição da promessa/pergunta de confiança deixaria de fazer sentido: ninguém acreditaria em promessas, logo o ato de “prometer para conseguir empréstimo” se tornaria impossível. Há uma contradição na concepção (a máxima destrói a condição de possibilidade da própria ação).

  5. Portanto, para Kant, essa ação é moralmente proibida porque viola o princípio de que a máxima deve poder valer como norma universal.

Alternativa correta: (c).

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