Segundo Bruno Latour, a separação entre natureza e cultura na modernidade resulta:
Questão
Segundo Bruno Latour, a separação entre natureza e cultura na modernidade resulta:
Alternativas
A. da inexistência de ciência no mundo antigo.
B. da criação de uma "máquina purificadora" que separa humanos e não humanos.
C. da rejeição da filosofia moderna.
D. da predominância das cosmologias indígenas.
E. da influência exclusiva da biologia evolutiva.
Explicação
Bruno Latour, especialmente em Jamais Fomos Modernos, argumenta que a modernidade se sustenta numa operação (ou conjunto de práticas) que produz e mantém a separação entre dois domínios: Natureza (como se fosse “objetiva”, dos não humanos) e Cultura/Sociedade (como se fosse “subjetiva”, dos humanos).
-
Para Latour, a modernidade não é definida por uma separação “natural” entre esses domínios, mas por um trabalho ativo que ele chama de purificação.
-
Essa purificação funciona como uma espécie de “máquina purificadora”: ela classifica e separa entidades e explicações em dois polos — de um lado, o que seria “natural” (não humano), e de outro, o que seria “social/cultural” (humano).
-
Ao mesmo tempo (e este é o ponto crítico de Latour), a própria modernidade produz inúmeros híbridos (quase-objetos/quase-sujeitos) que misturam humanos e não humanos (por exemplo, tecnociência, laboratórios, artefatos, redes sociotécnicas). Mas, para manter a narrativa moderna, a purificação continua operando como se a separação fosse clara e estável.
Portanto, a separação entre natureza e cultura na modernidade resulta, segundo Latour, da criação/atuação dessa “máquina purificadora” que separa humanos e não humanos.
Alternativa correta: (B).