[...] se formos acreditar no mito da língua única, existem milhões de pessoas neste país que não têm acesso a essa língua, que é a norma literária, culta, empregada pelos escritores e jornalistas, pelas instituições oficiais[...]. Eles também falam português, uma variedade de português não-padrão, com sua gramática particular, que, no entanto, não é reconhecida como válida, que é desprestigiada, ridicularizada [...] por parte dos falantes do português-padrão ou mesmo daqueles que, não falando o português-padrão, o tomam como referência ideal. BAGNO, Marcos. Preconceito Lingüístico: o que é, como se faz. 49ª. ed. São Paulo: Loyola, 2007.p15-16. Considerando o que foi apresentado no texto, os falantes que utilizam a variedade linguística de menor prestígio
Questão
[...] se formos acreditar no mito da língua única, existem milhões de pessoas neste país que não têm acesso a essa língua, que é a norma literária, culta, empregada pelos escritores e jornalistas, pelas instituições oficiais[...]. Eles também falam português, uma variedade de português não-padrão, com sua gramática particular, que, no entanto, não é reconhecida como válida, que é desprestigiada, ridicularizada [...] por parte dos falantes do português-padrão ou mesmo daqueles que, não falando o português-padrão, o tomam como referência ideal.
BAGNO, Marcos. Preconceito Lingüístico: o que é, como se faz. 49ª. ed. São Paulo: Loyola, 2007.p15-16.
Considerando o que foi apresentado no texto, os falantes que utilizam a variedade linguística de menor prestígio
Alternativas
Alternativa 1: sofrem preconceito linguístico porque existe desconhecimento sobre as diversidades que ocorrem na linguagem.
Alternativa 2: são integrantes de uma comunidade específica de fala que cuja comunicação é estabelecida com base nos aspectos normativos da linguagem culta.
Alternativa 3: fazem o uso da mesma variedade de língua ensinada e empregada em situações comunicativas formais.
Alternativa 4: passam por julgamentos preconceituosos por utilizarem o modelo idealizado de língua nos diferentes contextos de fala.
Alternativa 5: são compreendidos como usuários da língua que valem-se de regras teóricas sobre uso da língua com base em uma concepção heterogênea.
Explicação
O texto de Marcos Bagno critica o “mito da língua única”, isto é, a crença de que só a norma-padrão/culta (a variedade literária, de escritores, jornalistas e instituições oficiais) seria o português “verdadeiro” e legítimo.
Ele afirma que milhões de brasileiros falam uma variedade não-padrão, que possui gramática própria, mas que não é reconhecida como válida e acaba sendo desprestigiada, ridicularizada pelos falantes do padrão (e até por pessoas que não dominam o padrão, mas o tomam como ideal).
Logo, os falantes da variedade de menor prestígio:
- sofrem preconceito linguístico justamente porque suas variedades são vistas como “erradas”, resultado de uma visão que ignora (ou não aceita) a diversidade linguística e a legitimidade das variedades populares.
Analisando as alternativas:
- (1) corresponde diretamente ao texto: há preconceito e desvalorização por não se reconhecer a diversidade/variação linguística.
- (2) é incorreta porque associa esses falantes aos “aspectos normativos da linguagem culta”, o que contradiz a ideia de variedade não-padrão.
- (3) é incorreta porque diz que usam a mesma variedade ensinada para situações formais (norma-padrão).
- (4) é incorreta porque eles não sofrem preconceito por usar o “modelo idealizado”, mas por não usá-lo.
- (5) é incorreta porque fala em “regras teóricas” e “concepção heterogênea” de modo que não resume o ponto central do trecho, que é o não reconhecimento e o preconceito.
Alternativa correta: (1).