Leia os textos a seguir: Texto I Versos da Música Óia eu aqui de novo, de Luiz Gonzaga “Óia eu aqui de novo xaxando Óia eu aqui de novo pra xaxar Vou mostrar pr’esses cabras Que eu ainda dou no couro Isso é um desaforo Que eu não posso levar Que eu aqui de novo cantando Que eu aqui de novo xaxando Óia eu aqui de novo mostrando Como se deve xaxar. Vem cá morena linda Vestida de chita Você é a mais bonita Desse meu lugar Vai, chama Maria, chama Luzia Vai, chama Zabé, chama Raqué Diz que tou aqui com alegria” GONZAGA, L. Óia eu aqui de novo. Letras, [20--?]. Disponível em: https://www.letras.mus.br/luiz-gonzaga/842388/ Acesso em: 24 abr. 2024. Texto II “Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio” (ANDRADE (p. 100-101). ANDRADE, C. D. de. O observador no escritório. In: ANDRADE, C. D. de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. p. 100-101. Texto III “O problema é querer transformar essas revistinhas [em referência às HQs de Maurício de Souza] em material pedagógico para a abordagem da variação linguística. O desenhista não tem nenhuma obrigação de representar fielmente a fala de seus personagens, até porque uma representação 100 por cento fiel só poderia ser feita por meio de transcrições fonéticas detalhadas, o que simplesmente tornaria as revistas ilegíveis! [...] As opções gráficas empregadas no Chico Bento, nos sambas de Adoniran e nos poemas de Patativa têm como única finalidade criar uma atmosfera peculiar, inserir o leitor/ouvinte num universo social e cultural diferente daquele que vem convencionalmente representado pela ortografia oficial, o universo urbano letrado. Nenhum compromisso com o rigor da pesquisa científica (ainda bem!)” (BAGNO, 2007, p. 122-123) BAGNO, M. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. São Paulo: Parábola Editorial, 2007. O tratamento da variação linguística nos livros didáticos tem se manifestado cada vez mais, embora necessite de aprofundamento. Considerando os textos apresentados e os estudos sobre variação linguística, analise as afirmativas a seguir: I. O texto I recorre a elementos da variação diastrática como um recurso literário importante para a representação de um contexto sociocultural. II. No texto II, Drummond recorre ao fenômeno da variação diacrônica para criar um efeito de ambientação histórica e para enriquecer sua narrativa com detalhes que remetem a um período específico do passado. III. Os textos I e II são boa representação de variação linguística para atividades de conscientização da língua em uso pelo seu compromisso com o mundo não-ficcional. IV. O texto literário representa ser um excelente material didático para o estudo da variação linguística, porque permite retratar, com fidedignidade, a realidade da língua portuguesa. É correto o que se afirma em:

Questão

Leia os textos a seguir:

Texto I

Versos da Música Óia eu aqui de novo, de Luiz Gonzaga

“Óia eu aqui de novo xaxando

Óia eu aqui de novo pra xaxar

Vou mostrar pr’esses cabras

Que eu ainda dou no couro

Isso é um desaforo

Que eu não posso levar

Que eu aqui de novo cantando

Que eu aqui de novo xaxando

Óia eu aqui de novo mostrando

Como se deve xaxar.

Vem cá morena linda

Vestida de chita

Você é a mais bonita

Desse meu lugar

Vai, chama Maria, chama Luzia

Vai, chama Zabé, chama Raqué

Diz que tou aqui com alegria”

GONZAGA, L. Óia eu aqui de novo. Letras, [20--?]. Disponível em: https://www.letras.mus.br/luiz-gonzaga/842388/ Acesso em: 24 abr. 2024.

Texto II

“Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio” (ANDRADE (p. 100-101).

ANDRADE, C. D. de. O observador no escritório. In: ANDRADE, C. D. de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. p. 100-101.

Texto III

“O problema é querer transformar essas revistinhas [em referência às HQs de Maurício de Souza] em material pedagógico para a abordagem da variação linguística. O desenhista não tem nenhuma obrigação de representar fielmente a fala de seus personagens, até porque uma representação 100 por cento fiel só poderia ser feita por meio de transcrições fonéticas detalhadas, o que simplesmente tornaria as revistas ilegíveis!

[...]

As opções gráficas empregadas no Chico Bento, nos sambas de Adoniran e nos poemas de Patativa têm como única finalidade criar uma atmosfera peculiar, inserir o leitor/ouvinte num universo social e cultural diferente daquele que vem convencionalmente representado pela ortografia oficial, o universo urbano letrado. Nenhum compromisso com o rigor da pesquisa científica (ainda bem!)” (BAGNO, 2007, p. 122-123)

BAGNO, M. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. São Paulo: Parábola Editorial, 2007.

O tratamento da variação linguística nos livros didáticos tem se manifestado cada vez mais, embora necessite de aprofundamento. Considerando os textos apresentados e os estudos sobre variação linguística, analise as afirmativas a seguir:

I. O texto I recorre a elementos da variação diastrática como um recurso literário importante para a representação de um contexto sociocultural.

II. No texto II, Drummond recorre ao fenômeno da variação diacrônica para criar um efeito de ambientação histórica e para enriquecer sua narrativa com detalhes que remetem a um período específico do passado.

III. Os textos I e II são boa representação de variação linguística para atividades de conscientização da língua em uso pelo seu compromisso com o mundo não-ficcional.

IV. O texto literário representa ser um excelente material didático para o estudo da variação linguística, porque permite retratar, com fidedignidade, a realidade da língua portuguesa.

É correto o que se afirma em:

Alternativas

Alternativa 1: I e II, apenas.

92%

Alternativa 2: II e IV, apenas.

Alternativa 3: III, apenas.

Alternativa 4: I e IV, apenas.

Alternativa 5: IV, apenas.

Explicação

Vamos avaliar cada afirmativa à luz dos conceitos de variação linguística (diatópica, diastrática, diafásica e diacrônica) e do que os textos efetivamente fazem.

I. “O texto I recorre a elementos da variação diastrática...”

  • No Texto I (letra de Luiz Gonzaga), aparecem marcas linguísticas associadas a um grupo social e a um universo sociocultural específico (popular/rural nordestino), como em “pr’esses cabras”, “pr’ xaxar”, “tou”, além de escolhas lexicais e expressões típicas (“cabra”, “xaxar”, “chita”).
  • Isso é compatível com variação diastrática (associada a grupos sociais, escolaridade, pertencimento sociocultural) usada como recurso estético/literário para construir personagem/ambiente. ✅ Afirmativa I correta.

II. “No texto II, Drummond recorre ao fenômeno da variação diacrônica...”

  • O Texto II mobiliza um “tom de antigamente” e vocabulário/expressões que remetem a outros períodos: “mademoiselles”, “janotas”, “rapagões”, “pé-de-alferes”, “arrastando a asa”, “debaixo do balaio”, além da ideia de “completavam primaveras”.
  • O efeito produzido é justamente de ambientação histórica, evocando usos lexicais e modos de dizer associados a um tempo passado — isso se relaciona à variação diacrônica (mudanças/uso da língua ao longo do tempo). ✅ Afirmativa II correta.

III. “Os textos I e II são boa representação ... pelo seu compromisso com o mundo não-ficcional.”

  • Aqui há um problema: textos literários/letras podem representar variedades linguísticas, mas não têm compromisso de fidelidade científica com o mundo não ficcional.
  • O Texto III (Bagno) enfatiza que essas representações (Chico Bento, Adoniran, Patativa) visam criar “atmosfera” e não um retrato fiel/rigoroso (nem poderiam ser 100% fiéis sem transcrição fonética, o que inviabilizaria a leitura). ❌ Afirmativa III incorreta.

IV. “O texto literário ... excelente material didático ... porque permite retratar, com fidedignidade, a realidade da língua portuguesa.”

  • Embora o texto literário possa ser útil didaticamente para discutir variação, a justificativa dada (“com fidedignidade”) contraria a posição explicitada por Bagno: a representação gráfica/ortográfica em obras artísticas não é fiel nem pretende ser rigorosa do ponto de vista científico. ❌ Afirmativa IV incorreta.

Logo, estão corretas apenas I e II.

Alternativa correta: (A).

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