Minhas férias Levamos dois dias para armar a barraca, porque a minha mãe tinha usado o manual de instruções para limpar umas porcarias que o meu cachorro (Dogman) fez dentro do carro, mas ficou bem legal, mesmo que o zíper da porta não funcionasse, e para entrar ou sair da barraca a gente tivesse que desmanchar tudo e depois armar de novo. O rio tinha um cheiro ruim, e o primeiro peixe que nós pescamos já saiu da água cozinhado, mas não deu para comer, e o melhor de tudo é que choveu muito, e a água do rio subiu, e nós voltamos pra casa flutuando, o que foi muito melhor que voltar pela estrada esburacada; quer dizer que no fim tudo deu certo. VERISSIMO, L. F. Minhas férias. In: O nariz e outras crônicas. São Paulo: Ática, 1994. Na crônica de Luis Fernando Verissimo, a presença recorrente da conjunção "e" e o uso de palavras como "pra" promovem um(a)
Questão
Minhas férias
Levamos dois dias para armar a barraca, porque a minha mãe tinha usado o manual de instruções para limpar umas porcarias que o meu cachorro (Dogman) fez dentro do carro, mas ficou bem legal, mesmo que o zíper da porta não funcionasse, e para entrar ou sair da barraca a gente tivesse que desmanchar tudo e depois armar de novo. O rio tinha um cheiro ruim, e o primeiro peixe que nós pescamos já saiu da água cozinhado, mas não deu para comer, e o melhor de tudo é que choveu muito, e a água do rio subiu, e nós voltamos pra casa flutuando, o que foi muito melhor que voltar pela estrada esburacada; quer dizer que no fim tudo deu certo.
VERISSIMO, L. F. Minhas férias. In: O nariz e outras crônicas. São Paulo: Ática, 1994.
Na crônica de Luis Fernando Verissimo, a presença recorrente da conjunção "e" e o uso de palavras como "pra" promovem um(a)
Alternativas
A) caráter informal ao texto, assemelhando-o à oralidade.
B) quebra de expectativa, já que a crônica é um texto jornalístico.
C) desencadeamento humorístico, aproximando-o de uma piada.
D) aproximação entre texto e leitor, pois a linguagem é padronizada.
E) variabilidade linguística, devido à oscilação de variedades de estilo.
Explicação
-
O enunciado destaca dois recursos linguísticos do texto: (i) a repetição da conjunção “e” e (ii) o uso de formas coloquiais como “pra”.
-
A repetição de “e” (polissíndeto) encadeia as ações como numa narração “falada”, típica de relato espontâneo, com ritmo de conversa e pouca segmentação sintática (“...e ... e ... e ...”). Isso aproxima o texto da oralidade.
-
O termo “pra” (em vez de “para”) é marca clara de registro informal/coloquial, reforçando esse efeito de fala cotidiana.
-
Portanto, esses elementos constroem um tom informal e oralizado. As demais alternativas não se ajustam: não se trata de linguagem padronizada (D), nem de oscilação de estilos (E); humor existe, mas a pergunta aponta diretamente para marcas de informalidade/oralidade (A) e não para estrutura de piada (C).
Alternativa correta: A.