Paciente A.C., gênero feminino, 28 dias de vida, melanoderma, compareceu ao consultório odontológico do ISPCAALA acompanhado pelos pais, com queixa de dentes na região inferior. Durante a anamnese a mãe relatou não ter tido nenhuma intercorrência durante a gestação e o parto. Ao exame clínico extrabucal não foi observado nenhuma alteração. Ao exame clínico intraoral observou-se presença de dois dentes na região dos incisivos centrais inferiores, sem mobilidade, e a criança não encontrava dificuldades de amamentar. Ao exame radiográfico verificou‑se tratar‑se dos elementos 71 e 81, não sendo considerados supranumerários. A) Diga qual é o diagnóstico. B) Elabore o plano de tratamento ideal para este paciente.
Questão
Paciente A.C., gênero feminino, 28 dias de vida, melanoderma, compareceu ao consultório odontológico do ISPCAALA acompanhado pelos pais, com queixa de dentes na região inferior. Durante a anamnese a mãe relatou não ter tido nenhuma intercorrência durante a gestação e o parto. Ao exame clínico extrabucal não foi observado nenhuma alteração. Ao exame clínico intraoral observou-se presença de dois dentes na região dos incisivos centrais inferiores, sem mobilidade, e a criança não encontrava dificuldades de amamentar. Ao exame radiográfico verificou‑se tratar‑se dos elementos 71 e 81, não sendo considerados supranumerários.
A) Diga qual é o diagnóstico. B) Elabore o plano de tratamento ideal para este paciente.
Resposta
92%A) Diagnóstico: dentes neonatais (erupção precoce) dos incisivos centrais inferiores decíduos — elementos 71 e 81 — com implantação/estabilidade adequadas (sem mobilidade) e sem repercussão funcional na amamentação.
B) Plano de tratamento ideal:
- Conduta inicial (conservadora / expectante):
- Como se trata de dentes decíduos (71 e 81) confirmados radiograficamente, sem mobilidade e sem prejuízo à amamentação, a conduta de escolha é manter os dentes em boca, apenas com acompanhamento.
- Orientações aos pais (educação e prevenção):
- Explicar a diferença entre dente neonatal e supranumerário e que, neste caso, são dentes decíduos normais em erupção precoce.
- Orientar higiene da cavidade bucal do bebê (gaze/fralda limpa umedecida ou dedeira de silicone) e limpeza suave da região dos dentes após mamadas.
- Orientar os sinais de alerta para retorno imediato: aparecimento de mobilidade, feridas na língua (suspeita de doença de Riga-Fede), dificuldade para mamar, sangramento gengival persistente, irritabilidade importante, ou trauma recorrente.
- Controle clínico periódico:
- Reavaliar em curto prazo (ex.: 7 a 14 dias) e depois mensalmente no início, conforme a adaptação, para monitorar: a) Mobilidade dentária (risco de aspiração/deglutição se ficar muito móvel); b) Integridade dos tecidos moles (língua/lábio inferior) e presença de ulcerações; c) Interferências na sucção e conforto materno durante a amamentação; d) Presença de acúmulo de biofilme e risco de cárie precoce.
- Intervenções se houver complicações (quando indicar tratamento ativo):
-
Se houver trauma/ulceração (Riga-Fede) ou incômodo durante a amamentação:
- Primeira escolha: desgaste seletivo e arredondamento/polimento das bordas incisais para eliminar arestas traumáticas.
- Opcional/adiuvante: cobertura temporária com material resinoso/ionomérico para “alisar” a borda, se viável e seguro em bebê, sempre com cuidado para não criar volume que atrapalhe a sucção.
-
Se houver mobilidade acentuada (principalmente mobilidade importante com risco de deslocamento), fratura com instabilidade, ou impossibilidade de controlar trauma/risco funcional:
- Indicar exodontia do(s) dente(s).
- Precauções: avaliar risco de sangramento, realizar técnica minimamente traumática e, após a extração, proceder curetagem suave do alvéolo quando indicado para reduzir remanescentes da papila dentária/tecidos que poderiam favorecer “re-erupção” de estrutura remanescente.
- Prognóstico:
- Mantidos em boca e estáveis, o prognóstico costuma ser favorável. O objetivo é preservar dentes decíduos normais e intervir apenas se surgirem riscos (mobilidade/aspiração), lesões traumáticas ou comprometimento da amamentação.
Explicação
Raciocínio do diagnóstico (A):
- O bebê tem 28 dias de vida e apresenta dois dentes erupcionados na região dos incisivos centrais inferiores.
- Pela radiografia, são os elementos 71 e 81, ou seja, dentes decíduos normais, e não supranumerários.
- Como a erupção ocorreu no período neonatal (até 30 dias de vida), o termo correto é dentes neonatais (diferente de “dentes natais”, presentes ao nascimento).
- A ausência de mobilidade e a amamentação preservada indicam situação sem urgência e com baixa indicação de exodontia.
Fundamentação do plano de tratamento (B):
- Em odontopediatria, quando o dente neonatal/natal é da dentição decídua, está estável e não causa prejuízo funcional (amamentação) nem lesão em tecidos moles, a conduta preferencial é conservadora: manter e acompanhar.
- As principais indicações de intervenção são: mobilidade (risco de deglutição/aspiração), trauma em língua (lesão tipo Riga-Fede), dor/dificuldade de sucção ou interferências importantes.
- Por isso o plano ideal é: orientar, higienizar, acompanhar de perto e intervir apenas se aparecerem complicações (desgaste/polimento para trauma; exodontia para mobilidade importante ou falha das medidas conservadoras).