O fundador da filosofia ocidental foi condenado à morte por não adorar os deuses de Atenas e a “corromper” a juventude com ideias não aceitas pela sociedade da época. Sócrates (469 a.C. — 399 a.C.) foi a julgamento e teve a chance de renegar suas ideias. Preferiu beber cicuta. Pagou com a vida o preço da impopularidade, mas não abriu mão de seus conceitos. Com isso, ele deixava uma última lição clara: não é possível levar a sério as opiniões alheias o tempo todo. Muitas vezes, é preciso ter a coragem de assumir suas próprias posições, por mais complicado que isso seja. É difícil agir assim. Afinal, ser popular é prazeroso. Observe: em uma roda de conversa, sempre aparece aquela pessoa simpática, carismática, que conta piadas de que todos riem e sente o prazer de ser bem recebido pelo grupo. Sócrates fazia o contrário: abordava estranhos na rua e perguntava, insistentemente, o que era a felicidade, quais os motivos para realizar sacrifícios para deuses, ou por que homens que vão às guerras são tão valorizados. No texto, a referência à figura de Sócrates funciona como estratégia argumentativa ao

Questão

O fundador da filosofia ocidental foi condenado à morte por não adorar os deuses de Atenas e a “corromper” a juventude com ideias não aceitas pela sociedade da época. Sócrates (469 a.C. — 399 a.C.) foi a julgamento e teve a chance de renegar suas ideias. Preferiu beber cicuta. Pagou com a vida o preço da impopularidade, mas não abriu mão de seus conceitos. Com isso, ele deixava uma última lição clara: não é possível levar a sério as opiniões alheias o tempo todo. Muitas vezes, é preciso ter a coragem de assumir suas próprias posições, por mais complicado que isso seja.

É difícil agir assim. Afinal, ser popular é prazeroso. Observe: em uma roda de conversa, sempre aparece aquela pessoa simpática, carismática, que conta piadas de que todos riem e sente o prazer de ser bem recebido pelo grupo. Sócrates fazia o contrário: abordava estranhos na rua e perguntava, insistentemente, o que era a felicidade, quais os motivos para realizar sacrifícios para deuses, ou por que homens que vão às guerras são tão valorizados.

No texto, a referência à figura de Sócrates funciona como estratégia argumentativa ao

Alternativas

A) construir um argumento por exemplificação que relativiza o valor social da popularidade.

B) apresentar um modelo de conduta intelectual associado à recusa de consensos imediatos.

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C) estabelecer um contraste narrativo entre aceitação social e questionamento crítico das ideias.

D) provocar envolvimento emocional ao destacar o sacrifício extremo como prova de coerência pessoal.

E) reforçar a autoridade do discurso por meio da evocação de um personagem historicamente consagrado.

Explicação

O texto usa Sócrates para sustentar a tese de que não se deve levar “a sério as opiniões alheias o tempo todo” e que, muitas vezes, é preciso coragem para assumir posições próprias, mesmo que isso traga impopularidade.

  1. Primeiro, o autor apresenta Sócrates como alguém que não renega suas ideias, mesmo sob risco de morte (“Preferiu beber cicuta”). Isso não aparece para comover (embora possa impactar), mas para evidenciar firmeza intelectual.

  2. Em seguida, o texto opõe a busca comum por aceitação (“ser popular é prazeroso”) à postura socrática: em vez de agradar, ele questiona e desestabiliza respostas prontas, perguntando sobre felicidade, deuses e valores sociais.

  3. Assim, a figura de Sócrates funciona como modelo de conduta intelectual: alguém que pratica o questionamento e recusa consensos imediatos e ideias socialmente confortáveis.

Analisando as alternativas:

  • (A) fala em “argumento por exemplificação” sobre popularidade, mas o foco principal não é relativizar a popularidade; é defender a autonomia crítica.
  • (C) há contraste, mas ele é meio para um fim: destacar a postura intelectual de recusa do consenso.
  • (D) o objetivo não é prioritariamente emocional.
  • (E) não é só apelo à autoridade; o texto descreve ações e atitudes de Sócrates como exemplo de postura.

Portanto, a estratégia argumentativa é apresentar Sócrates como modelo de conduta intelectual ligado à recusa de consensos e à coragem de sustentar posições próprias.

Alternativa correta: (B).

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