Ao considerar a formação do verbo "desinfetar", percebe-se que ele é derivado por prefixação, o que sugere que o verbo primitivo deveria ser "infetar". Esse verbo, embora exista, é menos comum tanto no Brasil quanto em Portugal. Por outro lado, se o verbo primitivo fosse "infectar", o derivado mais lógico seria "desinfectar", termo que é reconhecido nos dicionários portugueses, mas não nos brasileiros. Na prática, "desinfetar" é amplamente utilizado em comparação com "infectar". O uso deste último é geralmente restrito a contextos específicos, como na medicina ou na informática. Em contrapartida, "desinfetar" tornou-se mais popular, inclusive como uma gíria no português brasileiro, usada no sentido de "abandonar algum lugar". A expressão "Desinfeta daqui!" é um exemplo disso. Além disso, o termo "desinfetante", que deriva de "desinfetar", é bastante conhecido, mesmo que muitas pessoas no Brasil ainda não tenham fácil acesso ao produto necessário para combater vírus como o coronavírus. Considerando o processo de formação da palavra “desinfetar”, analise as sentenças a seguir: I. A palavra caracteres, derivada de caráter (character), demonstra a preservação do C, assim como em infectar; caráter, por outro lado, demonstra a evolução natural do português brasileiro pela perda fonética do C. II. A palavra desinfetar sofre um processo de derivação pelo acréscimo de um prefixo, assim como em terreiro, cascalho e escassez. III. Desinfetante deriva de desinfetar, que deriva de infectar; esse fenômeno também pode ser observado no trio: desconectado – desconectar – conectar, ainda que não haja perda fonética do C. IV. A palavra “desinfetar” apresenta a seguinte estrutura mórfica: de-sin-fet-a-r. É correto o que se afirma em:

Questão

Ao considerar a formação do verbo "desinfetar", percebe-se que ele é derivado por prefixação, o que sugere que o verbo primitivo deveria ser "infetar". Esse verbo, embora exista, é menos comum tanto no Brasil quanto em Portugal. Por outro lado, se o verbo primitivo fosse "infectar", o derivado mais lógico seria "desinfectar", termo que é reconhecido nos dicionários portugueses, mas não nos brasileiros.

Na prática, "desinfetar" é amplamente utilizado em comparação com "infectar". O uso deste último é geralmente restrito a contextos específicos, como na medicina ou na informática. Em contrapartida, "desinfetar" tornou-se mais popular, inclusive como uma gíria no português brasileiro, usada no sentido de "abandonar algum lugar". A expressão "Desinfeta daqui!" é um exemplo disso. Além disso, o termo "desinfetante", que deriva de "desinfetar", é bastante conhecido, mesmo que muitas pessoas no Brasil ainda não tenham fácil acesso ao produto necessário para combater vírus como o coronavírus.

Considerando o processo de formação da palavra “desinfetar”, analise as sentenças a seguir:

I. A palavra caracteres, derivada de caráter (character), demonstra a preservação do C, assim como em infectar; caráter, por outro lado, demonstra a evolução natural do português brasileiro pela perda fonética do C.

II. A palavra desinfetar sofre um processo de derivação pelo acréscimo de um prefixo, assim como em terreiro, cascalho e escassez.

III. Desinfetante deriva de desinfetar, que deriva de infectar; esse fenômeno também pode ser observado no trio: desconectado – desconectar – conectar, ainda que não haja perda fonética do C.

IV. A palavra “desinfetar” apresenta a seguinte estrutura mórfica: de-sin-fet-a-r.

É correto o que se afirma em:

Alternativas

Alternativa 1: I e III, apenas.

Alternativa 2: I, III e IV, apenas.

86%

Alternativa 3: II e III, apenas.

Alternativa 4: I e IV, apenas.

Alternativa 5: II, apenas.

Explicação

Analisando cada sentença:

I. Correta. Em português, a grafia com ct (como em infectar) preserva a etimologia latina e é mais típica da norma europeia e/ou de registros mais conservadores. Já a forma sem c (como em infetar) reflete uma simplificação/queda fonética (perda de consoante não pronunciada), processo que também aparece em pares como caracteres (mantém o c do radical erudito) vs. caráter (forma adaptada, com simplificação gráfica). A ideia central — preservação do c em formas eruditas e perda em formas mais adaptadas — está adequada.

II. Incorreta. Desinfetar realmente é caso de derivação prefixal (prefixação por des-). Porém terreiro, cascalho e escassez não se formam por prefixação: são casos de sufixação e/ou outros processos morfológicos/lexicais, não paralelos ao acréscimo de um prefixo.

III. Correta. Há uma cadeia derivacional do tipo verbo base → verbo com prefixo → nome de agente/instrumento:

  • conectardesconectardesconectado (ou desconexão, etc.) De modo análogo, considera-se:
  • infectar (base) → desinfetar (prefixação com des-, ainda que com simplificação gráfica/fonética em relação a desinfectar) → desinfetante (sufixação a partir do verbo). A observação de que no trio com conectar não ocorre queda do c também é pertinente.

IV. Correta. A segmentação mórfica aceita para desinfetar é:

  • prefixo: des-
  • base (radical): infet-
  • vogal temática verbal: -a-
  • desinência do infinitivo: -r O enunciado escreve de-sin-fet-a-r, que é uma forma de segmentação equivalente (separando graficamente partes internas), mantendo a ideia essencial: des- + infet- + a + r.

Logo, estão corretas I, III e IV.

Alternativa correta: (B).

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