No discurso atribuído a Diotima, Eros deixa de ser concebido como um deus e passa a ser entendido como uma força intermediária. Considerando essa formulação, qual alternativa expressa corretamente a tese central dessa passagem?
Questão
No discurso atribuído a Diotima, Eros deixa de ser concebido como um deus e passa a ser entendido como uma força intermediária. Considerando essa formulação, qual alternativa expressa corretamente a tese central dessa passagem?
Alternativas
A) Eros é considerado um deus pleno porque quem ama possui aquilo que deseja e busca apenas manter o que já tem.
B) O amor é definido como uma potência intermediária, pois nasce da carência (Penia) e do recurso (Poros), o que significa que ele não é belo nem bom, mas deseja o que lhe falta.
C) Eros é descrito como completamente mau e feio, porque se ocupa somente da posse de bens materiais e dos prazeres corporais.
D) A concepção de Diotima afirma que o amor é um saber absoluto, uma sabedoria divina, motivo pelo qual está acima da condição humana.
Explicação
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No discurso de Diotima (no contexto do Banquete, de Platão), Eros não é tratado como um deus perfeito e plenamente realizado, mas como um daimon (força/ser intermediário) entre o humano e o divino.
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A razão disso é sua origem mítica: Eros nasce da união de Penia (Pobreza/Carência) com Poros (Recurso/Expediente). Portanto, ele participa de ambos:
- de Penia: a falta, a indigência, o não possuir;
- de Poros: a busca engenhosa, o impulso de encontrar meios, a potência de perseguir o que deseja.
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Consequência filosófica: se Eros é desejo, ele deseja precisamente aquilo que não possui. Logo, Eros não é ele mesmo plenamente belo e bom; ele se orienta ao belo e ao bem como algo que lhe falta.
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Avaliando as alternativas:
- (A) erra ao supor que quem ama já possui o que deseja (isso anularia o desejo).
- (C) erra ao reduzir Eros ao “completamente mau e feio” e a bens materiais/prazeres corporais, o que não corresponde à tese de Diotima.
- (D) erra ao identificar amor com saber absoluto/divino; para Diotima, Eros está entre ignorância e sabedoria, não é sabedoria plena.
- (B) expressa exatamente a ideia de Eros como potência intermediária, nascida de carência e recurso, que deseja o que lhe falta.
Alternativa correta: (B).