“[...] O preconceito linguístico resulta da comparação indevida entre o modelo idealizado de língua que se apresenta nas gramáticas normativas e nos dicionários e os modos de falar reais das pessoas que vivem na sociedade, modos de falar que são muitos e bem diferentes entre si. A instituição escolar tem sido há séculos a principal agência de manutenção e difusão do preconceito linguístico e de outras formas de discriminação. Uma formação docente adequada, com base nos avanços das ciências da linguagem e com vistas à criação de uma sociedade democrática e igualitária, é um passo importante na crítica e na desconstrução desse círculo vicioso” (BAGNO, [20--], on-line). Acerca do preconceito linguístico, assinale a alternativa correta.
Questão
“[...] O preconceito linguístico resulta da comparação indevida entre o modelo idealizado de língua que se apresenta nas gramáticas normativas e nos dicionários e os modos de falar reais das pessoas que vivem na sociedade, modos de falar que são muitos e bem diferentes entre si.
A instituição escolar tem sido há séculos a principal agência de manutenção e difusão do preconceito linguístico e de outras formas de discriminação. Uma formação docente adequada, com base nos avanços das ciências da linguagem e com vistas à criação de uma sociedade democrática e igualitária, é um passo importante na crítica e na desconstrução desse círculo vicioso” (BAGNO, [20--], on-line).
Acerca do preconceito linguístico, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Alternativa 1: Ao ensinar a variedade padrão da língua, mesmo que não intencionalmente, a escola reforça a ideia de que uma variedade é melhor que as outras.
Alternativa 2: É responsabilidade da escola não permitir que a variedade padrão do português brasileiro seja corrompida.
Alternativa 3: A variante diastrática surge nas escolas de periferia, pois ali estão presentes pessoas de classe social menos favorecida.
Alternativa 4: A escola é, há séculos, responsável pela expansão das variantes regionais.
Alternativa 5: Ensinar a variedade padrão na escola é a melhor forma de evitar o surgimento de erros e corruptelas no português, o papel da escola no falar brasileiro.
Explicação
O texto de Bagno afirma que o preconceito linguístico nasce da comparação indevida entre um “modelo idealizado” (gramáticas normativas e dicionários) e os modos reais de falar, que são múltiplos e diferentes. Além disso, aponta que a instituição escolar tem sido, historicamente, uma das principais agências de manutenção e difusão desse preconceito.
Analisando as alternativas:
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Alternativa 1: está de acordo com a crítica de Bagno. Ao privilegiar a variedade padrão como referência “correta” e avaliar as demais pelo parâmetro normativo, a escola pode (mesmo sem intenção) reforçar a hierarquização entre variedades, alimentando a ideia de que uma é “melhor” do que as outras.
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Alternativa 2: contraria a perspectiva sociolinguística presente no texto, pois trata a língua como algo que pode ser “corrompido”, visão normativa e prescritiva associada justamente ao preconceito linguístico criticado por Bagno.
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Alternativa 3: está incorreta porque variação diastrática (social) não “surge” em escolas de periferia; ela se relaciona a grupos sociais (classe, escolaridade, faixa etária, etc.) em qualquer contexto social, e não é produzida pela escola em si.
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Alternativa 4: é oposta ao que o texto indica. A escola, como instituição normatizadora, tende a uniformizar e prestigiar a variedade padrão, não a expandir variantes regionais.
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Alternativa 5: também é prescritiva (“erros”, “corruptelas”) e atribui à escola uma função de “purificação” do idioma, ideia incompatível com o trecho, que defende a crítica e desconstrução desse círculo de preconceito.
Alternativa correta: (1).