Prove se os seguintes argumentos são ou não válidos, recorrendo a inspeções de circunstâncias. Comece por apresentar os argumentos na sua expressão canónica, assim como o dicionário e a formalização correspondentes.

Questão

Prove se os seguintes argumentos são ou não válidos, recorrendo a inspeções de circunstâncias. Comece por apresentar os argumentos na sua expressão canónica, assim como o dicionário e a formalização correspondentes.

Alternativas

a) O quadro x não é representação. Se o fosse, não haveria música instrumental. Acontece, porém, que há música instrumental, embora também haja quadros que representam paisagens.

b) Há chuva ou risco de inundações. Há risco de inundações se houver chuva. Portanto, se não há chuva, também não há risco de inundações.

96%

Explicação

Vou formalizar cada argumento (dicionário + expressão canônica) e testar a validade por inspeção de circunstâncias (tabela/valorações). Um argumento é válido sse não existe circunstância em que todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa.


(a)

1) Dicionário

  • R\: “O quadro xx é representação.”
  • MM: “Há música instrumental.”
  • PP: “Há quadros que representam paisagens.”

2) Formalização

Texto:

  1. “O quadro xx não é representação.”
  2. “Se o fosse, não haveria música instrumental.”
  3. “Há música instrumental.”
  4. “Há quadros que representam paisagens.”

Forma lógica:

  1. \neg R\
  2. R¬MR \to \neg M
  3. MM
  4. PP

Conclusão (implícita): “Logo, o quadro xx não é representação.” isto é, \neg R\.

3) Expressão canônica

\neg R,\ (R \to \neg M),\ M,\ P \ \therefore\ \neg R\

4) Inspeção de circunstâncias

Para invalidar, eu precisaria de uma valoração com premissas verdadeiras e conclusão falsa. Mas a conclusão é \neg R\ e a 1ª premissa já é exatamente \neg R\.

  • Se todas as premissas forem verdadeiras, então em particular \neg R\ é verdadeira.
  • Logo, não há como a conclusão (\neg R\) ser falsa com as premissas todas verdadeiras.

Portanto, (a) é válido (na verdade, é um caso trivial: a conclusão repete uma premissa; as premissas MM e PP são “irrelevantes” para a validade).


(b)

1) Dicionário

  • CC: “Há chuva.”
  • II: “Há risco de inundações.”

2) Formalização

Premissas:

  1. “Há chuva ou risco de inundações.”  CI\Rightarrow\ C \lor I
  2. “Há risco de inundações se houver chuva.”  CI\Rightarrow\ C \to I

Conclusão: “Se não há chuva, também não há risco de inundações.”  ¬C¬I\Rightarrow\ \neg C \to \neg I

3) Expressão canônica

CI, (CI)  (¬C¬I)C \lor I,\ (C \to I)\ \therefore\ (\neg C \to \neg I)

4) Inspeção de circunstâncias (busca de contraexemplo)

Queremos uma circunstância em que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa.

A conclusão ¬C¬I\neg C \to \neg I é falsa somente quando:

  • antecedente verdadeiro e consequente falso, isto é: ¬C\neg C verdadeira e ¬I\neg I falsa.
  • equivalentes: CC é falso e II é verdadeiro.

Então testemos a valoração: C=FC = F e I=VI = V.

  • Premissa 1: CI=FV=VC \lor I = F \lor V = V (verdadeira).
  • Premissa 2: CI=FV=VC \to I = F \to V = V (verdadeira, pois condicional com antecedente falso é verdadeira).
  • Conclusão: ¬C¬I=VF=F\neg C \to \neg I = V \to F = F (falsa).

Encontramos uma circunstância com premissas verdadeiras e conclusão falsa. Logo, o argumento (b) é inválido.

Conclusão geral: (a) válido; (b) inválido. Alternativa correta: (b).

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