Texto I Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, da vossa alta clemência me despido; porque, quanto mais tenho delinquido, vos tenho a perdoar mais empenhado. Se besta a vos irar tanto pecado, a abrandar-vos attidade um sô gemido, que a mesma culpa, que vos há ofendido, vos tem para o perdão lisonjeado. (MATOS, Gregório de. Século XVII. Fragmento). Texto II Durante a festa dessa madrugada, Juliano Floss desabafou com Babu sobre excessos. "Babu, Nietzsche entende que sem a embriaguez dionisíaca, NÃO existe arte MUITO MENOS celebração verdadeira da vida". Hedoniza o brother #BBB20 A contemporaneidade frequentemente ressignifica conceitos filosóficos em suportes digitais, como o meme (Texto II). Ao aproximar a fala sobre a "embriaguez dionisíaca" da lírica religiosa de Gregório de Matos (Texto I), identifica-se uma convergência temática típica do Barroco. Essa temática fundamenta-se na:

Questão

Texto I Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, da vossa alta clemência me despido; porque, quanto mais tenho delinquido, vos tenho a perdoar mais empenhado. Se besta a vos irar tanto pecado, a abrandar-vos attidade um sô gemido, que a mesma culpa, que vos há ofendido, vos tem para o perdão lisonjeado. (MATOS, Gregório de. Século XVII. Fragmento).

Texto II Durante a festa dessa madrugada, Juliano Floss desabafou com Babu sobre excessos. "Babu, Nietzsche entende que sem a embriaguez dionisíaca, NÃO existe arte MUITO MENOS celebração verdadeira da vida". Hedoniza o brother #BBB20

A contemporaneidade frequentemente ressignifica conceitos filosóficos em suportes digitais, como o meme (Texto II). Ao aproximar a fala sobre a "embriaguez dionisíaca" da lírica religiosa de Gregório de Matos (Texto I), identifica-se uma convergência temática típica do Barroco. Essa temática fundamenta-se na:

Alternativas

A) exaltação do equilíbrio clássico, em que o desejo de aproveitar a vida mundana é plenamente harmonizado com os dogmas religiosos da Contra-Reforma.

B) adoção do racionalismo científico, que busca explicar a "embriaguez" e o "pecado" como fenômenos puramente biológicos e desprovidos de angústia.

C) dicotomia entre o carpe diem (aproveitar o dia/excesso) e o temor a Deus, gerando um estado de tensão constante em que o indivíduo oscila entre a culpa e o prazer.

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D) negação absoluta dos prazeres da carne em favor de uma vida puramente contemplativa, característica que define a produção poética de Gregório de Matos.

E) superação dos conflitos existenciais através da sátira, desconsiderando a importância da religiosidade na construção do pensamento barroco brasileiro.

Explicação

  1. No Texto I (Gregório de Matos), o eu lírico assume o pecado (“Pequei, Senhor”) e, ao mesmo tempo, se volta para Deus pedindo perdão, revelando conflito interior entre culpa/pecado e desejo de salvação (temor a Deus e busca de clemência).

  2. No Texto II, a ideia de “embriaguez dionisíaca” associa-se ao excesso, ao prazer e à celebração da vida (uma lógica de entrega aos sentidos, ao “aproveitar”).

  3. A convergência barroca aparece justamente na tensão/dualidade: de um lado, o impulso do prazer e do excesso (carpe diem, vida mundana); de outro, a consciência do pecado e o temor a Deus (moral religiosa da época). Essa oposição gera oscilação, angústia e contradição — marca típica do Barroco.

  4. Analisando as alternativas:

  • A: fala em “equilíbrio clássico” e harmonia plena, o que contraria o Barroco, que é conflitivo.
  • B: racionalismo científico/biológico não é o eixo do conflito barroco.
  • D: negação absoluta do prazer não corresponde ao Barroco, que trabalha a ambivalência.
  • E: não há “superação” via sátira; a tensão religiosa é central.

Logo, a temática barroca é a dicotomia entre prazer/excesso e culpa/temor religioso.

Alternativa correta: C.

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