Cinema: O estudo do Cinema de Guerrilha da Baixada revela que, após o reconhecimento da imprensa, o grupo precisou lidar com o estigma do "açougueiro que faz filmes". Segundo Leroux (2017), a insistência da mídia em destacar a profissão paralela de Ricardo Rodrigues servia para manter uma "divisão do sensível", sugerindo que o trabalhador braçal seria sempre um "imitador" no campo das artes, incapaz de ocupar plenamente o lugar de cineasta. LEROUX, Liliane. Táticas do cinema de guerrilha da baixada para transitar entre o popular e o artístico. Polêmica, v. 17, n. 1, p. 01-23, jan./mar. 2017. Diante da tentativa de rotulação externa, o grupo CGB adotou uma tática de resistência que consistiu em

Questão

O estudo do Cinema de Guerrilha da Baixada revela que, após o reconhecimento da imprensa, o grupo precisou lidar com o estigma do "açougueiro que faz filmes". Segundo Leroux (2017), a insistência da mídia em destacar a profissão paralela de Ricardo Rodrigues servia para manter uma "divisão do sensível", sugerindo que o trabalhador braçal seria sempre um "imitador" no campo das artes, incapaz de ocupar plenamente o lugar de cineasta.

LEROUX, Liliane. Táticas do cinema de guerrilha da baixada para transitar entre o popular e o artístico. Polêmica, v. 17, n. 1, p. 01-23, jan./mar. 2017.

Diante da tentativa de rotulação externa, o grupo CGB adotou uma tática de resistência que consistiu em

Alternativas

Alternativa 1: abandonar as profissões originais imediatamente para obter validação social.

Alternativa 2: negar a origem periférica para se adequar ao padrão do cinema mainstream.

Alternativa 3: processar judicialmente os veículos de imprensa por danos à imagem profissional.

Alternativa 4: reverter o estigma em "persona", utilizando a curiosidade da mídia como ativo para promover seus filmes.

90%

Alternativa 5: interromper a produção de ficções para focar exclusivamente em documentários biográficos.

Explicação
  1. O enunciado afirma que a mídia tentou rotular Ricardo Rodrigues como “o açougueiro que faz filmes”, reforçando uma “divisão do sensível” (no sentido de manter separadas, simbolicamente, as posições de trabalhador braçal e de artista/cineasta), sugerindo que ele seria apenas um “imitador” no campo das artes.

  2. A questão pergunta qual foi a “tática de resistência” do grupo diante dessa rotulação externa. Em situações desse tipo, a resistência mais coerente com o próprio texto é aquela que não tenta “apagar” a origem (o que confirmaria a hierarquia implícita), nem abandona imediatamente o trabalho (o que aceitaria a regra do jogo de que só é cineasta quem não é trabalhador), nem judicializa o conflito (o foco do trecho é tática simbólica/midiática, não jurídica), nem muda o tipo de obra (documentário vs. ficção) como reação.

  3. A tática descrita como mais compatível com “transitar entre o popular e o artístico” é justamente apropriar-se do estigma e convertê-lo em recurso: em vez de recusar a marca “açougueiro”, o grupo pode transformá-la em uma espécie de persona/identidade pública que chama atenção, invertendo o sinal negativo e usando a curiosidade midiática para ampliar circulação, interesse e divulgação dos filmes.

  4. Portanto, a resistência consiste em reverter o estigma e utilizá-lo estrategicamente como ativo de promoção, sem aceitar a ideia de que a profissão paralela impediria a legitimação como cineasta.

Alternativa correta: 4.

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