A Autotech Global, uma montadora multinacional com operações em diversos países, enfrentou denúncias de condições de trabalho análogas à escravidão em uma de suas fábricas terceirizadas no exterior. A investigação revelou que trabalhadores imigrantes eram submetidos a jornadas exaustivas, salários abaixo do mínimo local, alojamentos insalubres e retenção de passaportes. Embora a Autotech alegue que a unidade é terceirizada e opera sob a legislação do país anfitrião, organizações internacionais e ONGs exigem uma resposta que transcenda fronteiras. A empresa busca mitigar os danos à reputação e evitar sanções comerciais e jurídicas em seus mercados mais lucrativos. Aplique os conceitos de responsabilidade corporativa e de governança e indique a alternativa que apresenta a abordagem mais adequada.

Questão

A Autotech Global, uma montadora multinacional com operações em diversos países, enfrentou denúncias de condições de trabalho análogas à escravidão em uma de suas fábricas terceirizadas no exterior. A investigação revelou que trabalhadores imigrantes eram submetidos a jornadas exaustivas, salários abaixo do mínimo local, alojamentos insalubres e retenção de passaportes. Embora a Autotech alegue que a unidade é terceirizada e opera sob a legislação do país anfitrião, organizações internacionais e ONGs exigem uma resposta que transcenda fronteiras. A empresa busca mitigar os danos à reputação e evitar sanções comerciais e jurídicas em seus mercados mais lucrativos. Aplique os conceitos de responsabilidade corporativa e de governança e indique a alternativa que apresenta a abordagem mais adequada.

Alternativas

a) A empresa deve focar-se em fortalecer sua equipe jurídica para defender a conformidade com as leis trabalhistas do país anfitrião, pois a legislação local é a principal balizadora das operações de suas terceirizadas, limitando a intervenção direta em questões contratuais de parceiros.

b) A Autotech Global precisa iniciar uma campanha de relações públicas para minimizar a visibilidade do incidente, destacando seus programas sociais em outras regiões, enquanto busca um novo fornecedor local que ofereça condições de trabalho compatíveis com a média do mercado.

c) A Autotech Global deve assumir sua responsabilidade estendida pela cadeia de suprimentos, implementando auditorias independentes, exigindo que o fornecedor local adote imediatamente padrões de trabalho internacionalmente reconhecidos (como os da OIT) e garantindo reparação às vítimas.

94%

d) A montadora deve rescindir imediatamente o contrato com o fornecedor local que praticou condições degradantes e cessar a relação contratual, a fim de proteger sua imagem, sem assumir responsabilidade adicional por indenizações.

e) É fundamental que a Autotech Global invista na criação de um comitê interno de ética e conformidade, encarregado de revisar todo o processo de terceirização e de envolver entidades externas ou públicas na resolução do problema específico da fábrica.

Explicação

  1. Problema central (responsabilidade corporativa e governança)
  • Mesmo sendo uma unidade terceirizada e localizada em outro país, as denúncias envolvem violação grave de direitos humanos e trabalhistas (trabalho análogo à escravidão, retenção de passaportes, alojamento degradante etc.).
  • Em termos de responsabilidade corporativa moderna (ESG/conduta empresarial responsável), espera-se que a multinacional exerça devida diligência e responsabilidade estendida na cadeia de suprimentos, pois o risco reputacional, jurídico e comercial recai também sobre a marca líder da cadeia.
  1. Por que a alternativa (c) é a mais adequada
  • Ela combina três pilares considerados os mais robustos em governança e responsabilidade corporativa: a) Prevenção e controle: auditorias independentes e monitoramento (reduz assimetria de informação e “terceirização do risco”). b) Adoção de padrões internacionais: exigir conformidade com normas reconhecidas (ex.: OIT) é crucial quando a legislação local é insuficiente ou mal fiscalizada. c) Remediação: garantir reparação às vítimas atende ao princípio de que, quando a empresa causa, contribui ou se beneficia de abusos na cadeia, deve atuar para remediar (não apenas “trocar de fornecedor”).
  • Também é a abordagem que melhor atende ao objetivo do enunciado: transcender fronteiras, mitigar danos reputacionais e reduzir risco de sanções comerciais/jurídicas em mercados mais exigentes.
  1. Por que as demais estão inadequadas
  • (a) limita-se à legalidade local e à defesa jurídica, ignorando padrões internacionais e o dever de diligência na cadeia; é insuficiente para o tipo de violação narrada.
  • (b) foca em “abafar” o caso (PR) e trocar fornecedor, sem enfrentar a violação e sem reparar vítimas; tende a agravar risco reputacional e regulatório.
  • (d) rescindir imediatamente pode ser necessário em alguns casos, mas não resolve a remediação e pode piorar a situação dos trabalhadores; além disso, “lavar as mãos” contraria a responsabilidade estendida.
  • (e) criar comitê interno é útil como estrutura de governança, mas a alternativa não garante ações essenciais e imediatas: auditoria independente, padrões internacionais e reparação. Sozinha, é incompleta.

Conclusão: a resposta mais adequada, alinhada à responsabilidade corporativa e à boa governança em cadeias globais, é assumir responsabilidade estendida, impor padrões internacionais, auditar e reparar os danos.

Alternativa correta: (c).

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