Texto I Pneumotórax, de Manuel Bandeira Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse. Mandou chamar o médico: — Diga trinta e três. — Trinta e três… trinta e três… trinta e três… — Respire. — O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. — Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? — Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino. Fonte: ​BILAC, O. Melhores poemas. Seleção de Maria Lajolo. São Paulo: Global, 2003. Texto II A um poeta, de Olavo Bilac Longe do estéril turbilhão da rua, Beneditino escreve! No aconchego Do claustro, na paciência e no sossego, Trabalha e teima, e lima , e sofre, e sua! Mas que na forma se disfarce o emprego Do esforço: e trama viva se construa De tal modo, que a imagem fique nua Rica mas sóbria, como um templo grego Não se mostre na fábrica o suplício Do mestre. E natural, o efeito agrade Sem lembrar os andaimes do edifício: Porque a Beleza, gêmea da Verdade Arte pura, inimiga do artifício, É a força e a graça na simplicidade Fonte: BANDEIRA, Manuel. Libertinagem & Estrela da Manhã. 16.ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2000. Os textos possuem diferenças estéticas que demonstram como os gêneros literários foram se transformando ao longo do tempo. Pensando na tradição e nas inovações do gênero lírico, analise as afirmativas a seguir: I. O texto 1 não pode ser considerado poema, pois não há rimas nem metrificação dos versos. II. O texto II é um soneto, estrutura clássica com dois quartetos e dois tercetos. Este tipo de poema, geralmente, possui esquema fixo de rimas e de metrificação. III. Ambos os textos são poemas, mas o texto II evidencia a tradição poética ao apresentar rimas e maior preocupação formal. Já o texto I traz inovações na poética ao usar, até mesmo, elementos mais típicos da narrativa, como os travessões e diálogos. IV. A questão da inovação na poesia é verificada com o passar dos anos e dos períodos literários. O poema II é do Parnasianismo, período mais clássico, enquanto o poema I é do Modernismo, período que buscava se livrar dos padrões clássicos da poesia. É correto o que se afirma em:

Questão

Texto I

Pneumotórax, de Manuel Bandeira

Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:

— Diga trinta e três. — Trinta e três… trinta e três… trinta e três… — Respire.

— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. — Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? — Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Fonte: ​BILAC, O. Melhores poemas. Seleção de Maria Lajolo. São Paulo: Global, 2003.

Texto II

A um poeta, de Olavo Bilac

Longe do estéril turbilhão da rua, Beneditino escreve! No aconchego Do claustro, na paciência e no sossego, Trabalha e teima, e lima , e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego Do esforço: e trama viva se construa De tal modo, que a imagem fique nua Rica mas sóbria, como um templo grego

Não se mostre na fábrica o suplício Do mestre. E natural, o efeito agrade Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade Arte pura, inimiga do artifício, É a força e a graça na simplicidade

Fonte: BANDEIRA, Manuel. Libertinagem & Estrela da Manhã. 16.ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2000.

Os textos possuem diferenças estéticas que demonstram como os gêneros literários foram se transformando ao longo do tempo.

Pensando na tradição e nas inovações do gênero lírico, analise as afirmativas a seguir:

I. O texto 1 não pode ser considerado poema, pois não há rimas nem metrificação dos versos. II. O texto II é um soneto, estrutura clássica com dois quartetos e dois tercetos. Este tipo de poema, geralmente, possui esquema fixo de rimas e de metrificação. III. Ambos os textos são poemas, mas o texto II evidencia a tradição poética ao apresentar rimas e maior preocupação formal. Já o texto I traz inovações na poética ao usar, até mesmo, elementos mais típicos da narrativa, como os travessões e diálogos. IV. A questão da inovação na poesia é verificada com o passar dos anos e dos períodos literários. O poema II é do Parnasianismo, período mais clássico, enquanto o poema I é do Modernismo, período que buscava se livrar dos padrões clássicos da poesia.

É correto o que se afirma em:

Alternativas

A) I, apenas.

B) II e III, apenas.

C) III e IV, apenas.

D) II, III e IV, apenas.

96%

E) I, II, III e IV.

Explicação

Vamos avaliar cada afirmativa:

I. Falsa. A ausência de rimas e de metrificação regular não impede que um texto seja poema. O Modernismo consolidou o verso livre, e “Pneumotórax”, de Manuel Bandeira, é amplamente reconhecido como poema apesar da linguagem coloquial e da falta de padrão métrico/rímico.

II. Verdadeira. O texto II (“A um poeta”, de Olavo Bilac) apresenta a forma clássica do soneto: 14 versos, organizados em dois quartetos e dois tercetos. Em geral, esse gênero tradicionalmente envolve métrica e esquemas de rima mais regulares, o que é compatível com a estética parnasiana.

III. Verdadeira. Ambos são poemas, mas o Texto II evidencia a tradição (maior preocupação formal, rimas, estrutura fixa). Já o Texto I traz inovações modernistas, aproximando-se da oralidade e incorporando recursos pouco típicos da lírica tradicional, como travessões e diálogo, criando um efeito quase “cênico/narrativo”.

IV. Verdadeira. O Parnasianismo (Bilac) valoriza a forma, a “arte pela arte”, o rigor estético e a disciplina do verso. O Modernismo (Bandeira), por sua vez, rompe com padrões clássicos, privilegiando liberdade formal, coloquialismo e experimentação.

Logo, estão corretas II, III e IV.

Alternativa correta: (D).

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