Texto I Tão logo uma mensagem é reconhecida como publicidade, o consumidor sabe que ela provém de um emissor que pagou para que a mensagem informasse ou persuadisse o receptor sobre certas ideias ou mercadorias. No caso da publicidade de um produto comercial, o receptor também compreende que a intenção do emissor não é apenas informar, mas, em última instância, levar à ação, ou seja, à compra do produto [...]. Em publicidades disfarçadas, nas quais a mensagem paga aparece sob o disfarce de uma matéria de jornal, por exemplo, o anunciante tenta ocultar que se trata de publicidade. As estratégias para evitar qualquer referência a compra e venda são, aliás, as mais imaginativas. Muitas publicidades são textos sem função apelativa presumida na intenção de venda. Quase sempre, a mensagem se restringe a uma mera apresentação do produto ou de sua marca [...]. Um caso particular de ocultamento do apelo de compra encontra-se na publicidade de benevolência ou prestígio, que sempre busca produzir a impressão de objetivos mais filantrópicos do que comerciais. Fonte: SANTAELLA, L.; NÖTH, W. Estratégias semióticas da publicidade. São Paulo: Cengage Learning. 2010. p. 13-14. Texto II Diante da multiplicidade de linguagens, mídias e tecnologias, torna-se necessário dominar áudio, vídeo, tratamento de imagem, edição e diagramação, entre outros recursos tecnológicos. Portanto, são requeridas novas práticas de leitura, escrita e análise crítica, exigindo novos multiletramentos. A referência ao termo "multiteracies" pode ser entendida a partir de algumas características importantes, tais como: a) motivadores da interação (colaborativos); b) transgressores das relações de poder estabelecidas; e c) híbridos, fronteiriços e mestiços (de linguagens, modos, mídias e culturas). Essas características impõem um novo modo de conceber, por exemplo, a autoria e a recepção dos enunciados. Ou seja, o processo de produção textual não é mais exclusivamente linguístico, integrando imagem, som e movimento; além disso, não se vivencia mais uma produção estritamente individual ou de mão única (aluno-professor), mas colaborativa, em que mais de um sujeito contribui para a produção e retextualização. Portanto, esses objetos discursivos (hipermodais e polifônicos) desafiam a repensar concepções enunciativas de produção e leitura de enunciados. Há, portanto, a necessidade de reconhecer uma pedagogia dos multiletramentos ao propor a adoção, em sala de aula, de práticas situadas de instrução aberta, enquadramento crítico e prática transformadora. A proposta didática, sustentada em critérios de análise crítica, é de grande interesse imediato e condiz com os princípios de pluralidade cultural e diversidade de linguagens envolvidos no conceito de multiletramentos. Fonte: ROJO, R.; ALMEIDA, E. M. (orgs.). Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012. Considerando os textos 1 e 2, assinale a alternativa correta.
Questão
Texto I
Tão logo uma mensagem é reconhecida como publicidade, o consumidor sabe que ela provém de um emissor que pagou para que a mensagem informasse ou persuadisse o receptor sobre certas ideias ou mercadorias. No caso da publicidade de um produto comercial, o receptor também compreende que a intenção do emissor não é apenas informar, mas, em última instância, levar à ação, ou seja, à compra do produto [...]. Em publicidades disfarçadas, nas quais a mensagem paga aparece sob o disfarce de uma matéria de jornal, por exemplo, o anunciante tenta ocultar que se trata de publicidade. As estratégias para evitar qualquer referência a compra e venda são, aliás, as mais imaginativas. Muitas publicidades são textos sem função apelativa presumida na intenção de venda. Quase sempre, a mensagem se restringe a uma mera apresentação do produto ou de sua marca [...]. Um caso particular de ocultamento do apelo de compra encontra-se na publicidade de benevolência ou prestígio, que sempre busca produzir a impressão de objetivos mais filantrópicos do que comerciais.
Fonte: SANTAELLA, L.; NÖTH, W. Estratégias semióticas da publicidade. São Paulo: Cengage Learning. 2010. p. 13-14.
Texto II
Diante da multiplicidade de linguagens, mídias e tecnologias, torna-se necessário dominar áudio, vídeo, tratamento de imagem, edição e diagramação, entre outros recursos tecnológicos. Portanto, são requeridas novas práticas de leitura, escrita e análise crítica, exigindo novos multiletramentos. A referência ao termo "multiteracies" pode ser entendida a partir de algumas características importantes, tais como: a) motivadores da interação (colaborativos); b) transgressores das relações de poder estabelecidas; e c) híbridos, fronteiriços e mestiços (de linguagens, modos, mídias e culturas). Essas características impõem um novo modo de conceber, por exemplo, a autoria e a recepção dos enunciados. Ou seja, o processo de produção textual não é mais exclusivamente linguístico, integrando imagem, som e movimento; além disso, não se vivencia mais uma produção estritamente individual ou de mão única (aluno-professor), mas colaborativa, em que mais de um sujeito contribui para a produção e retextualização. Portanto, esses objetos discursivos (hipermodais e polifônicos) desafiam a repensar concepções enunciativas de produção e leitura de enunciados. Há, portanto, a necessidade de reconhecer uma pedagogia dos multiletramentos ao propor a adoção, em sala de aula, de práticas situadas de instrução aberta, enquadramento crítico e prática transformadora. A proposta didática, sustentada em critérios de análise crítica, é de grande interesse imediato e condiz com os princípios de pluralidade cultural e diversidade de linguagens envolvidos no conceito de multiletramentos.
Fonte: ROJO, R.; ALMEIDA, E. M. (orgs.). Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.
Considerando os textos 1 e 2, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Alternativa 1: Analisar textos publicitários em sala de aula requer o desenvolvimento de leitura e a sensibilização dos elementos que constroem os sentidos e intencionalidades.
Alternativa 2: Analisar textos publicitários na educação básica exige do professor uma centralização dos processos de interpretação, evitando desvios e equívocos.
Alternativa 3: A análise das propagandas com movimento, ou seja, dos anúncios ou campanhas, exige que o leitor ignore os propósitos da peça para, então, reconhecer seu apelo artístico.
Alternativa 4: A análise das propagandas exige do leitor os mesmos procedimentos ao se realizar uma análise do texto literário. Esses procedimentos são: fruição, estilo e humor.
Alternativa 5: O ensino pode ser fortemente influenciado pelos estudos dos multiletramentos, em especial, na compreensão da supremacia da escrita sobre outras semioses.
Explicação
Passo 1 — Ideia central do Texto I (publicidade e intencionalidade): O Texto I afirma que, quando o consumidor reconhece uma mensagem como publicidade, ele entende que houve um emissor que pagou para informar/persuadir e que, no fundo, busca levar à ação (compra). Além disso, mostra que existem publicidades “disfarçadas” e estratégias de ocultamento do apelo de compra (inclusive publicidade de prestígio), o que exige do leitor atenção aos elementos semióticos e às intenções por trás do texto.
Passo 2 — Ideia central do Texto II (multiletramentos e leitura crítica): O Texto II defende que, diante de múltiplas linguagens/mídias (imagem, som, movimento etc.), são necessárias novas práticas de leitura e análise crítica (multiletramentos). Isso implica formar leitores capazes de interpretar textos hipermodais e polifônicos, reconhecendo como diferentes semioses constroem sentidos.
Passo 3 — Conexão entre os textos e avaliação das alternativas:
- A alternativa 1 condiz com os dois textos: analisar publicidade em sala de aula envolve desenvolver leitura crítica e perceber como se constroem sentidos e intencionalidades (especialmente quando há ocultamento do apelo comercial) e, no contexto atual, isso passa por competências de multiletramentos.
- A alternativa 2 contraria o Texto II, que enfatiza práticas colaborativas e enquadramento crítico, não “centralização” interpretativa para evitar desvios.
- A alternativa 3 contraria o Texto I, pois a análise não deve ignorar os propósitos; ao contrário, deve identificá-los (inclusive os ocultos).
- A alternativa 4 é reducionista e não corresponde ao foco dos textos (publicidade e multiletramentos), nem aos procedimentos mencionados.
- A alternativa 5 contraria o Texto II, que rejeita a supremacia da escrita e destaca a integração de múltiplas semioses (imagem, som, movimento).
Logo, a correta é a alternativa que aponta a necessidade de leitura/análise crítica para perceber sentidos e intenções na publicidade.
Alternativa correta: (A).