Durante um programa de formação continuada promovido pela Secretaria Municipal de Educação de Ji-Paraná, destinado a professores dos anos iniciais do ensino fundamental, um formador organizou encontros sobre avaliação diagnóstica, utilizando estratégias colaborativas de aprendizagem. Os participantes trabalhavam em grupo, analisavam e compartilhavam experiências relacionadas ao cotidiano escolar. Entretanto, ao longo dos encontros, os docentes relataram pouco diálogo entre professores, o que se refletia nas dificuldades em perceber e valorizar as práticas dos colegas. Alguns demonstraram resistência progressiva ao curso, alegando que os conteúdos trabalhados não tinham aplicação prática imediata. Considerando os fundamentos da aprendizagem de adultos e com base nos princípios da andragogia, a situação hipotética descrita evidencia que o processo formativo:
Questão
Durante um programa de formação continuada promovido pela Secretaria Municipal de Educação de Ji-Paraná, destinado a professores dos anos iniciais do ensino fundamental, um formador organizou encontros sobre avaliação diagnóstica, utilizando estratégias colaborativas de aprendizagem. Os participantes trabalhavam em grupo, analisavam e compartilhavam experiências relacionadas ao cotidiano escolar. Entretanto, ao longo dos encontros, os docentes relataram pouco diálogo entre professores, o que se refletia nas dificuldades em perceber e valorizar as práticas dos colegas. Alguns demonstraram resistência progressiva ao curso, alegando que os conteúdos trabalhados não tinham aplicação prática imediata. Considerando os fundamentos da aprendizagem de adultos e com base nos princípios da andragogia, a situação hipotética descrita evidencia que o processo formativo:
Alternativas
A) Atendeu aos pressupostos da aprendizagem de adultos, visto que o uso de metodologias participativas e a valorização do saber docente tendem a compensar limitações relacionadas à aplicabilidade imediata dos conteúdos trabalhados.
B) Demonstrou incompreensão com a aprendizagem de adultos, pois a organização de atividades em grupo e o uso de estudos de caso reduzem a autonomia individual do participante adulto, dificultando o desenvolvimento da autodireção.
C) Fragilizou os princípios da aprendizagem adulta ao negligenciar a orientação do adulto para a prática profissional, reduzindo a percepção de relevância imediata dos conteúdos trabalhados.
D) Mobilizou adequadamente a experiência prévia dos participantes como recurso de aprendizagem, oferecendo o engajamento do adulto mesmo quando os conteúdos não apresentavam relação imediata com demandas profissionais.
Explicação
Pelos princípios da andragogia (aprendizagem de adultos), é central que o adulto:
- tenha clareza do porquê e para quê aprender (necessidade de saber);
- perceba relevância imediata para seus problemas reais de trabalho (orientação para tarefas/problemas e aplicação prática);
- seja reconhecido em sua experiência e participe ativamente, com autonomia.
Na situação descrita, embora o formador tenha usado estratégias colaborativas (grupos, compartilhamento de experiências), surgiram dois indícios fortes de desalinhamento com a aprendizagem adulta:
- Resistência progressiva porque os docentes avaliaram que “os conteúdos não tinham aplicação prática imediata”;
- Pouco diálogo e dificuldade em valorizar as práticas dos colegas, o que diminui o sentido prático e a construção coletiva voltada a resolver problemas do cotidiano.
Isso evidencia que o processo formativo não conseguiu conectar de modo suficiente o conteúdo da avaliação diagnóstica às demandas concretas e imediatas da prática docente (o “como isso me ajuda amanhã na sala de aula?”). Quando essa conexão não é percebida, a motivação tende a cair, contrariando um eixo clássico da andragogia: orientação do adulto para a prática profissional e para problemas reais.
Analisando as alternativas:
- A e D afirmam que, mesmo sem aplicabilidade imediata, haveria engajamento/compensação — contraria o enunciado, que mostra resistência justamente por falta de aplicação.
- B é incorreta porque trabalho em grupo e estudos de caso não reduzem necessariamente a autonomia; podem, inclusive, favorecer a autodireção se bem conduzidos.
- C é a que melhor explica o problema central: fragilização do princípio de relevância e aplicação prática imediata.
Alternativa correta: (C).