As condutas motoras possuem uma sequência, de acordo com a idade, para emergirem no processo de desenvolvimento humano. Quando desestabilizadas, revelam-se sobretudo no ambiente escolar, quando se percebem, nos movimentos da criança, aspectos relacionados à educação e/ou reeducação psicomotora (como lateralidade, equilíbrio, coordenação, praxias, etc.) em desalinho com a idade e os aspectos físicos da criança. A- cai com frequência B- esbarra nos colegas C- anda com os pés afastados parece desajeitado. Sabendo disso, Camila, professora de Educação Física em uma escola de Educação Infantil, observou que seu aluno Pedro, de 5 anos, vem apresentando a seguinte conduta: A, B e C acima. Frente a isso, responda: a) Qual a possível perturbação motora de Pedro? b) Quais as possíveis causas dessa alteração? c) Que exercícios práticos Camila poderia aplicar na aula de Educação Física, visando a minimizar esses danos? Indique, no mínimo, dois.

Questão

As condutas motoras possuem uma sequência, de acordo com a idade, para emergirem no processo de desenvolvimento humano. Quando desestabilizadas, revelam-se sobretudo no ambiente escolar, quando se percebem, nos movimentos da criança, aspectos relacionados à educação e/ou reeducação psicomotora (como lateralidade, equilíbrio, coordenação, praxias, etc.) em desalinho com a idade e os aspectos físicos da criança.

A- cai com frequência B- esbarra nos colegas C- anda com os pés afastados parece desajeitado.

Sabendo disso, Camila, professora de Educação Física em uma escola de Educação Infantil, observou que seu aluno Pedro, de 5 anos, vem apresentando a seguinte conduta: A, B e C acima.

Frente a isso, responda:

a) Qual a possível perturbação motora de Pedro?

b) Quais as possíveis causas dessa alteração?

c) Que exercícios práticos Camila poderia aplicar na aula de Educação Física, visando a minimizar esses danos? Indique, no mínimo, dois.

Resposta

86%

a) Possível perturbação motora:

Pelos sinais descritos (cai com frequência, esbarra nos colegas, anda com base alargada/“pés afastados” e parece desajeitado), a hipótese mais provável no contexto escolar é um transtorno/atraso do desenvolvimento da coordenação motora — frequentemente referido na literatura educacional como Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC) (também chamado de “dispraxia do desenvolvimento”, em alguns textos), com déficits de equilíbrio, coordenação global e planejamento motor.

Observação: “andar com os pés afastados” pode ser uma estratégia compensatória para aumentar a base de apoio quando há instabilidade postural.

b) Possíveis causas dessa alteração (multifatoriais):

  1. Imaturidade/atraso no desenvolvimento psicomotor, especialmente em:

    • equilíbrio estático e dinâmico;
    • coordenação bilateral;
    • organização espaço-temporal;
    • praxias (planejamento/execução de sequências motoras).
  2. Fatores neuromotores/neurossensoriais (comuns como hipótese de triagem, sem “fechar diagnóstico” na escola):

    • dificuldades de integração sensorial (proprioceptiva/vestibular), levando a tropeços, quedas e choques;
    • alterações de tônus muscular (hipotonia é uma possibilidade), reduzindo estabilidade;
    • dificuldade de controle postural.
  3. Fatores perceptivos e corporais:

    • esquema corporal pouco consolidado;
    • lateralidade ainda mal definida/instável (pode atrapalhar eficiência motora);
    • noção espacial frágil (distância dos colegas/obstáculos).
  4. Fatores ambientais e de oportunidade:

    • pouco repertório de experiências motoras (pouca brincadeira ativa, pouca vivência de escalada, saltos, correr, etc.);
    • sedentarismo/tempo excessivo de tela;
    • medo de se movimentar após quedas (evitação e piora do desempenho).

Encaminhamento responsável: como professora, Camila pode registrar observações, conversar com a família e sugerir avaliação com pediatra e, se necessário, fisioterapeuta/terapeuta ocupacional/psicomotricista para investigação mais precisa (visão, audição, vestibular, questões neurológicas, etc.).

c) Exercícios práticos (mínimo 2) para minimizar os danos:

A ideia é trabalhar equilíbrio, coordenação global, controle postural, noção espacial e praxias, em forma lúdica e progressiva.

  1. Circuito de equilíbrio (estático e dinâmico)

    • Caminhar sobre linhas no chão (reta, zigue-zague, curva), depois sobre uma “trave” baixa (fita no chão → banco sueco baixo → meio-fio de espuma).
    • Variar: andar de lado, andar para trás, caminhar “calcanhar na ponta do pé”.
    • Objetivo: melhorar controle postural e estabilidade (reduzir quedas).
  2. Jogos de coordenação e desvio de obstáculos (noção espacial)

    • Montar um percurso com cones/arcos e pedir para a criança correr leve e desviar sem tocar, ou transportar um objeto sem derrubar.
    • Brincadeira do “não encosta”: caminhar por um espaço sem tocar em cordas/cones.
    • Objetivo: treinar percepção espacial, ajuste de velocidade e direção (reduzir esbarrões).
  3. Saltos e aterrissagens controladas (coordenação + equilíbrio dinâmico)

    • Pular dentro/fora de arcos (ou marcações no chão), saltar com os dois pés e parar estável (“pula e congela”).
    • Progressão: salto unilateral (quando estiver pronto), mini-trampolim baixo com supervisão.
    • Objetivo: melhorar coordenação, força funcional e controle de aterrissagem.
  4. Atividades de praxia/planejamento motor (sequência de ações)

    • Siga o mestre” com sequências: bater palmas + agachar + girar + tocar um cone.
    • “Semáforo”: verde corre, amarelo marcha, vermelho para (controle inibitório + ajuste motor).
    • Objetivo: melhorar sequenciação e organização espaço-temporal.
  5. Coordenação bilateral (uso integrado dos dois lados do corpo)

    • Arremessar e pegar bola grande com as duas mãos; depois alternar mãos.
    • Passar bola por cima/por baixo em roda.
    • Objetivo: melhorar sincronização e controle de tronco/cinturas.

Sugestão de aplicação (prática): 2 a 3 estações por aula (5–8 min cada), com baixa complexidade no início, aumentando gradualmente (mais velocidade, menor base de apoio, mais mudanças de direção), sempre priorizando sucesso e segurança.

Resumo direto:

  • (a) hipótese: atraso/transtorno da coordenação (TDC/dispraxia do desenvolvimento), com déficit de equilíbrio e coordenação global.
  • (b) causas: imaturidade psicomotora + fatores sensoriais/tônus/controle postural + pouca vivência motora (multifatorial).
  • (c) exercícios: circuitos de equilíbrio e percursos com desvio de obstáculos (mínimo), além de saltos controlados e jogos de sequência motora.

confidence: 86

Explicação

Para responder, basta relacionar os comportamentos observados (quedas, esbarrões e marcha com base alargada/desajeitada) às funções psicomotoras mais envolvidas.

  1. Interpretação dos sinais A, B e C
  • A (cai com frequência) → sugere dificuldade de equilíbrio (estático/dinâmico), controle postural e/ou integração vestibular-proprioceptiva.
  • B (esbarra nos colegas) → sugere dificuldade de noção espacial, ajuste de distância, mudanças de direção e coordenação global em ambientes com muitos estímulos.
  • C (anda com os pés afastados, desajeitado) → a base de suporte aumentada é frequentemente uma compensação para instabilidade; também é compatível com imaturidade de coordenação.
  1. Síntese (hipótese escolar) O conjunto aponta mais para um quadro global de coordenação abaixo do esperado para a idade (5 anos), típico de atraso/transtorno do desenvolvimento da coordenação (TDC), envolvendo equilíbrio, coordenação ampla e praxias.

  2. Causas prováveis (por que isso pode acontecer?) Como a escola não fecha diagnóstico médico, listam-se causas plausíveis:

  • atraso psicomotor / pouca automatização de padrões motores;
  • dificuldades de integração sensorial (vestibular/propriocepção), tônus e controle postural;
  • fatores perceptivos (esquema corporal e noção espacial);
  • baixa oportunidade de prática motora.
  1. Intervenção na aula de Educação Física (o que melhora os sinais?) Se o problema envolve equilíbrio, coordenação e espaço, os exercícios devem:
  • aumentar estabilidade (treino de equilíbrio);
  • treinar deslocamentos com controle (percursos e obstáculos);
  • trabalhar sequenciação/praxia (imitação e comandos);
  • ser progressivos e lúdicos para consolidar habilidades.

Assim, circuitos de equilíbrio e percursos de desvio de obstáculos são escolhas diretas para reduzir quedas e esbarrões, complementados por saltos controlados e jogos de sequência.

Alternativa correta: (não se aplica).

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