Imagine que você é professor de uma escola estadual da sua cidade. Na sua turma do 5.º ano, você tem um aluno com deficiência intelectual e os demais alunos sem deficiência. Como professor, quais estratégias você criaria para atender o aluno com deficiência intelectual e os alunos sem deficiência? Descreva dois exemplos de atividades.
Questão
Imagine que você é professor de uma escola estadual da sua cidade. Na sua turma do 5.º ano, você tem um aluno com deficiência intelectual e os demais alunos sem deficiência. Como professor, quais estratégias você criaria para atender o aluno com deficiência intelectual e os alunos sem deficiência? Descreva dois exemplos de atividades.
Resposta
93%Estratégias para atender o aluno com deficiência intelectual e os demais alunos (5.º ano)
Estratégias (organização e condução da aula)
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Planejamento em níveis (mesmo tema, diferentes formas de acesso e de resposta): propor a mesma habilidade/objetivo para todos, mas com graus de complexidade e apoios (pistas visuais, passos menores, exemplos prontos, tempo extra). Assim, o aluno com deficiência intelectual participa do conteúdo da turma, com adequações.
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Ensino explícito e rotinas curtas: explicar em etapas, modelar (fazer junto), oferecer prática guiada e depois prática autônoma. Manter combinados e rotina visual (o que fazer primeiro, depois, por quanto tempo).
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Materiais concretos e multimodais: usar objetos, imagens, esquemas, leitura em voz alta, vídeos curtos, jogos e manipulação (o aluno aprende melhor quando “vê e faz”, e isso também beneficia o restante da turma).
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Aprendizagem cooperativa com papéis: duplas/grupos heterogêneos, com funções definidas (leitor, registrador, conferente, apresentador). Isso evita que alguém “faça pelo outro” e garante participação real.
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Avaliação formativa e flexível: observar processo, usar checklist simples de habilidades, permitir diferentes formas de mostrar o que aprendeu (oral, desenho, colagem, marcar alternativas, usar banco de palavras).
Dois exemplos de atividades
Atividade 1 — Matemática: “Mercadinho da sala” (adição, subtração e sistema monetário)
Objetivo da turma: resolver situações de compra e venda, calcular total e troco.
Como fazer:
- Montar um “mercadinho” com embalagens vazias e etiquetas de preço (R$ 1 a R$ 20).
- Entregar dinheiro de brinquedo e uma lista de compras.
- Em duplas, um aluno é o “cliente” e outro o “caixa”; depois trocam.
Adequações/apoios para o aluno com deficiência intelectual (sem excluir):
- Lista de compras com imagens dos itens e valores mais simples (ex.: R$ 2, R$ 5, R$ 10).
- Possibilidade de comprar menos itens (2 ou 3) e usar tabela de apoio (ex.: “se tenho R$ 10 e gasto R$ 6, sobra R$ 4”).
- Uso de material concreto (notas/moedas) para contar e compor valores, em vez de fazer tudo no papel.
- Papel no grupo: pode ser o conferente (conta as notas), o organizador (separa produtos) ou o cliente com apoio do colega.
Ampliação para alunos sem deficiência (desafio):
- Inserir descontos (ex.: 10% ou “leve 3 pague 2”), promoção, orçamento máximo, troco com valores quebrados.
Atividade 2 — Língua Portuguesa: “Leitura guiada + produção com banco de palavras” (compreensão e escrita)
Objetivo da turma: compreender um texto narrativo curto e produzir um resumo/reconto.
Como fazer:
- Ler um texto curto coletivamente (professor lê em voz alta e a turma acompanha).
- Fazer perguntas de compreensão em três níveis: quem/onde/quando (literal), por que (inferência simples) e opinião (avaliação).
- Propor um reconto do texto.
Adequações/apoios para o aluno com deficiência intelectual:
- Texto com fonte maior, mais espaçamento e, se possível, versão com imagens.
- Entregar um roteiro visual do reconto (início–meio–fim) e um banco de palavras (personagens, lugares, ações).
- Permitir diferentes formas de resposta:
- reconto oral gravado no celular/tablet da escola,
- reconto por sequência de figuras (ordenar cenas e contar),
- texto com frases iniciadas (ex.: “No começo…”, “Depois…”, “No final…”).
Ampliação para alunos sem deficiência:
- Pedir reconto mudando o ponto de vista (ex.: narrar como um personagem), criar novo final, ou produzir um parágrafo descrevendo cenário e personagens com adjetivos.
Síntese: as estratégias priorizam participação do aluno com deficiência intelectual no mesmo tema da turma, com apoios e metas graduadas, ao mesmo tempo em que oferecem desafios e aprofundamento para os demais alunos.
Explicação
A questão pede estratégias inclusivas para uma turma de 5.º ano com um aluno com deficiência intelectual e demais alunos sem deficiência, além de dois exemplos de atividades. Para atender a ambos, a lógica pedagógica central é: (1) manter o aluno no currículo comum, (2) ajustar acesso (como aprende) e expressão (como demonstra), (3) oferecer apoios graduados sem retirar o desafio do restante da turma.
- Estratégias criadas
- Planejamento em níveis: mesmo objetivo/habilidade para todos, com complexidades diferentes e apoios (pistas visuais, etapas menores, tempo extra). Isso garante inclusão sem “duas aulas separadas”.
- Ensino explícito e rotina: instruções curtas, modelagem (fazer junto), prática guiada e independente. Para DI, a previsibilidade e a divisão em passos aumenta a autonomia; para os demais, melhora a organização e a aprendizagem.
- Materiais concretos e multimodais: uso de objetos, imagens, jogos e manipulação; beneficia o aluno com DI e também amplia engajamento e compreensão dos demais.
- Trabalho cooperativo com papéis: grupos heterogêneos com funções claras evitam que colegas façam a tarefa pelo aluno e garantem participação significativa.
- Avaliação flexível e formativa: observar progresso e permitir diferentes formas de resposta (oral, desenho, marcar opções, texto com banco de palavras), mantendo o foco na habilidade.
- Dois exemplos de atividades
- Atividade 1 (Matemática: Mercadinho): mesma situação-problema para todos; para o aluno com DI, lista com imagens, menos itens, valores mais simples, apoio com tabela e contagem com dinheiro concreto; para os demais, desafios como orçamento, descontos e troco mais complexo.
- Atividade 2 (Português: leitura guiada e reconto): leitura coletiva; para o aluno com DI, texto com acessibilidade (fonte maior/imagens), roteiro início-meio-fim, banco de palavras e possibilidade de resposta oral ou por sequência de figuras; para os demais, ampliação com mudança de ponto de vista, novo final e descrição mais elaborada.
Essas propostas atendem simultaneamente o aluno com deficiência intelectual e os demais porque mantêm o tema comum, diferenciam apoios e exigências, e organizam participação ativa de todos.