[...] — Filhinho meu, vem comer, ó meu amor, vem dormir. Que noite tão clara e quente, ó vida tão breve e boa! A cigarra atrela as patas é no meu coração. O que ela fica gritando eu não entendo, sei que é pura esperança. PRADO, A. Módulo de Verão. In: Bagagem. Rio de Janeiro: Cameron, 2021. No poema, o eu lírico constrói seu discurso com base na repercussão do(a)
Questão
[...] — Filhinho meu, vem comer, ó meu amor, vem dormir. Que noite tão clara e quente, ó vida tão breve e boa! A cigarra atrela as patas é no meu coração. O que ela fica gritando eu não entendo, sei que é pura esperança.
PRADO, A. Módulo de Verão. In: Bagagem. Rio de Janeiro: Cameron, 2021.
No poema, o eu lírico constrói seu discurso com base na repercussão do(a)
Alternativas
A) animalização das emoções.
B) idealização da maternidade.
C) caráter permanente da vida.
D) beleza sublime do cotidiano.
E) apego irracional à esperança.
Explicação
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O poema encena uma cena íntima e comum do dia a dia: chamar o “filhinho” para comer e dormir (“— Filhinho meu, vem comer, / ó meu amor, vem dormir.”). Trata-se de um recorte cotidiano, doméstico, simples.
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Em seguida, o eu lírico eleva essa experiência comum por meio de linguagem afetiva e contemplativa (“Que noite tão clara e quente”), conferindo encanto ao instante vivido.
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A presença da cigarra intensifica a percepção sensível do momento (“A cigarra atrela as patas / é no meu coração.”). Mesmo sem compreender racionalmente o “grito” do inseto, o eu lírico o associa a um sentimento positivo (“sei que é pura esperança.”), reforçando o tom de encantamento com o que está ao redor.
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Assim, o discurso se constrói pela repercussão do cotidiano (a noite, o filho, a cigarra) transformado em matéria de beleza e significado.
Alternativa correta: (D).